sexta-feira, 17 de setembro de 2010

INTELIGÊNCIA POLÍTICA

FERRO JÚNIOR, Celso Moreira e
SEIXAS, Acyr Pitanga

A atividade de Inteligência é antecipação . Objetiva disponibilizar uma visão ampla e detalhada de cenários com vistas ao assessoramento de um processo decisório. A Política por sua vez, é a arte ou ciência da organização, direção e administração de Estados e a aplicação desta arte aos negócios internos e externos do governo. Atualmente a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.
Nesse contexto, considera-se Inteligência Política, a atividade dinâmica de assessoramento para a tomada de decisões no âmbito político. Desenvolve-se basicamente pela prospecção de dados e informações que, reunidos, organizados, analisados e interpretados, possibilitam a formação de conhecimento consolidado. É um trabalho indispensável para instrumentar o processo político de seus líderes e agentes partidários de coordenação política.
O método da Inteligência Política contém as seguintes atividades e ações:
a) Análise e diagnóstico das relações e vínculos políticos; b) Antecipação de fatos e situações que ocasionem comprometimento político; c) Identificação de ameaças, traições e atos insidiosos de qualquer natureza; d) Neutralização de ações adversas à integridade da imagem institucional do líder político; e) Recrutamento de colaboradores como fontes de informação; f) Inserção de recursos humanos em atividades de campanha política; g) Monitoração e acompanhamento de eventos e reuniões públicas, e h) Gerenciamento de crise de imagem.
O gerenciamento de crise de imagem é um trabalho de intensa relação com fontes de informação e a mídia. Visa preservar a imagem de uma pessoa ou empresa no decorrer, ou antes, de uma crise. Considera a redução de perdas no momento em que ocorre uma situação de ameaça ou ações que podem causar danos à imagem do político ou legenda, bem como, comprometer seriamente a integridade e ferir reputações.
O trabalho envolve o monitoramento da imprensa em geral e a coleta de informações. A sua análise provê um diagnóstico para definir o caminho a ser seguido. Os profissionais que atuam nesta área estabelecem estreito relacionamento com a mídia, possuem expertise em análise de conjuntura política e capacidade de obtenção de informações.
O gerenciamento de imagem de líderes, agentes partidários e de coordenação política tem como objetivo a construção de uma imagem positiva. As seguintes medidas são aplicadas:
a) Fixação de conceito de imagem e reputação; b) Avaliação de riscos e vulnerabilidades políticas; c) Análise e aferição da credibilidade; d) Identificação de fatores que causam e/ou aumentam o risco da crise; e) Elaboração de um projeto e programa de enfrentamento da crise; f) Divulgação de notas, artigos e matérias; g) Orientações para aprimoramento do comportamento em entrevistas, e h) Orientação nas apuração dos profissionais de área de imprensa.
O gerenciamento de crise política apóia-se na capacidade de antecipação de acontecimentos (atividade de inteligência). Por sua vez, assessora no estabelecimento de acordos e alianças políticas, bem como entendimentos com a imprensa sobre a imagem do cliente.
O potencial da atividade de inteligência política também está na estrutura tecnológica de armazenagem, recuperação e reutilização de informações. Neste aspecto, considera-se uma faixa temporal extensa para facilitar a busca de conhecimento em vários períodos memoriais de campanhas políticas. A implementação destes processos, com pessoal especializado, aumenta a capacidade de produção de informação com significado , e potencializa o produto por meio da interpretação do grande volume de informações em fontes variadas.
Profissionais que atuam em Inteligência Política devem possuir habilidades na produção de conhecimento, de forma oportuna, e em condições de realizar diagnósticos, com identificando padrões, tendências de fatos e situações de interesse dos políticos.
De acordo com Alan J Simpson a Inteligência Política olha para o conjunto de cenários, tendências e padrões. As análises para os clientes são confidenciais. Muito pouca inteligência política é publicada na Internet. A verdadeira inteligência é tão valiosa quanto a ser limitada em circulação, mantendo seu valor na preservação do conteúdo e sigilo.
A Inteligência Política é focada nas necessidades do cliente. O processo de coleta diária de notícias, relatórios e comunicados de imprensa e o seu acompanhamento é determinado pela cenário atual. Muito poucas operações cobrem tudo o tempo todo. Os atores políticos são especialistas em poluição da mídia, especialmente a eletrônica, com informações falsas e enganosas de opinião. Este material, facilmente obtido, não é adequado para tomada de decisões políticas.
A Inteligência Política é uma atividade muito procurada. Contudo, poucos são os profissionais especializados e que nela atuam de forma abrangente. Ninguém pode prever com certeza absoluta os efeitos das forças políticas de um adversário sem o uso de ações específicas de Inteligência. Analistas podem reduzir riscos ao fazer previsões com base no que é conhecido sobre as tendências políticas e pesquisas. Porém, sem a aplicação de medidas especiais de inteligência o resultado fica mais próximo da incerteza, com possibilidade de erros e estratégias deficientes.
São raros os profissionais e empresas especializadas no ramo. A TrueSafety Ltda., http://www.truesafety.com.br/ sediada em Brasília, com atuação nacional, oferece consultoria em Inteligência Política. Sua atuação contempla os métodos e conceitos aqui descritos. Além disso, detém elevada capacidade de monitoramento de volume qualificado de informações (análise de vínculos i2), mineração sistemática em fontes abertas , uso de alta tecnologia na prospecção de Informações, bem como possui profissionais altamente qualificados.
O Profissional da Informação em Atividades de Inteligência Competitiva. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewFile/2477/4145. Acesso em 11/09/2010.
Definição de Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Política#Poder_pol.C3.ADtico. Acesso em 17/08/2010.
Gerenciamento de Crise de Imagem da Lush Brasil. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sudeste2008/expocom/EX9-0341-1.pdf. acesso em 14/09/2010.
A Inteligência Organizacional, Análise de Vínculos e a Investigação Criminal. Disponível em: http://www.bdtd.ucb.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=746. Acesso em: 16/09/2010.
What is Political Intelligence? Disponível em: http://www.comlinks.com/polintel/pi080103.htm. Acesso em 15/09/2010.
Fontes abertas e Inteligência de Estado. Agencia Brasileira de Inteligência. Disponível em: http://www.abin.gov.br/modules/mastop_publish/?tac=Fontes_abertas_e_Intelig%EAncia_de_Estado. Acesso em 16/09/2010.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A "MÍSTICA" DA INTELIGENCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (ISP)

George Felipe de Lima Dantas
Considerações sobre a "mistica" da Inteligência de Segurança Pública remetem a questão da Análise Criminal e da ISP ao domínio de uma nova (em aparentemente óbvia oposição a uma "antiga") "cultura de gestão do conhecimento". É referência nessa área a pesquisa acadêmica do Professor Mestre em Ciência Celso Moreira Ferro Júnior (ex-agente e ex-delegado da PCDF, atualmente advogado com prática em Brasília). A referência específica ao trabalho de Ferro Júnior (dissertação de mestrado na Universidade Católica de Brasília - Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação) consta na web. Tive a oportunidade de examinar o trabalho do Professor Ferro Júnior "em banca" e com isso adquirir algum conhecimento e compreensão sobre esse tema tão atual e sempre tão polêmico.
Realmente existe (e/ou existiu) uma "mística da ISP", em que ao menos alguns conhecimentos por ela tratados, ao extremo da totalidade deles, devessem ficar circunscritos a um determinado "círculo de 'iniciados'".
A mística referida parece advir de "outros tempos" em que os produtores de ACT [Análise Criminal Tática (ACT), considerando a também existência de uma Análise Criminal Estratégica (ACE)], bem como os objetos da ACInv [Análise Criminal Investigativa (ACInv), considerando a também existência de uma Análise Criminal de Inteligência (ACI)] estivessem todos eles (analistas e produtos/temas substantivos) vinculados e comprometidos com outros ideais e valores, quiçá distintos dos ideais e valores dos atuais operadores da segurança pública.
É importante notar também que, em qualquer conjuntura histórica (incluindo a do contexto a que referimos a ISP no "aqui e agora"), o significado da expressão "Inteligência" se apresentará em uma trilogia em que o termo alternativamente representará (i) um método, (ii) uma estrutura administrativa/"órgão" (caso de uma Agência de Inteligência -- AI) ou, (iii) um produto/"documento" (caso dos atuais Relatórios de Inteligência -- "RelInts").
É possível mistificar certas "estruturas administrativas" e/ou seus "produtos", considerando a trilogia acima referida. Mas parece impossível poder fazer o mesmo com referência a um "método". O método a que refiro é uma "entidade intelectual" e, por isso mesmo, em sua utilização, pode ser aplicado por qualquer um, independente da estrutura administrativa de pertencimento de quem o aplica ou da formalidade que se empreste ao objeto ou documento por ele produzido.
A obra de Umberto Eco -- "O Nome da Rosa" – é bastante emblemática da independência que pode ter o operador de um método investigativo, mesmo em oposição a outros operadores, tão empoderados quanto foram os inquisidores medievais... Não é por outra razão que hoje toma corpo uma "Inteligência Corporativa", "Inteligência Empresarial" ou como quer que se possa chamar uma atividade que tem no "método" sua interface com a "Inteligência Clássica" ou "Inteligência de Estado".
Tudo isso escrito e aqui posto, retornamos a questão da "mística" da Inteligência de Segurança Pública, para sugerirmos que o "método" da AC/ISP, tanto enquanto "entidade intelectual" (livre para utilização por qualquer um que possa compreendê-lo e dele fazer uso) quanto pela sua necessidade para o encaminhamento dos graves problemas atuais de segurança pública do país (incluindo a realização futura no país de dois mega-eventos internacionais -- em 2014 e 2016), é algo possível e comprovadamente efetivo e necessário -- independente de outras variáveis -- incluindo má lembranças de um tempo que já passou...
Prof.Doutor George Felipe de Lima Dantas
(61) 3393-6468 e/ou 9952-6290
CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado

Consultor em Segurança, Análise de Riscos, Inteligência e Contra-inteligência.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal Aposentado.

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do
Distrito Federal.
Curso de Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento
de Operações de Inteligência. ABIN. 2000.
Curso de Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.