quarta-feira, 26 de maio de 2010

O RACIOCÍNIO DA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

Existe uma relação entre atividade de inteligência e investigação criminal. Na verdade, a inteligência tem por objetivo processar informações, geralmente em larga escala para assessorar a investigação criminal. A inteligência é um instrumento pelo qual a investigação criminal atua no estudo e compreensão de fatos complexos ou conjunto de fatos em sua evolução no tempo. Atua com mais ênfase no campo diacrônico com a análise de conjunto dos fenômenos sociais, criminais que ocorrem e se desenvolvem através do tempo e espaço.
Uma visão holística da criminalidade é considerada na sua relação com uma totalidade maior, através da qual adquire sentido quando se faz a descoberta de ligações pertinentes de forma integral de diversos fenômenos. O que é relevante no entendimento integral dos fenômenos é sua contraposição ao procedimento simplesmente estatístico e analítico (quantitativo) em que os elementos são tomados isoladamente.
A Inteligência Policial e a investigação criminal trabalham em um ambiente informacional, e de certa forma, através de inúmeras evidências antes de obter a informação com significado. As evidências provêm de um conjunto de fontes diversas onde o analista busca inicialmente o conhecimento: bases de dados, sistemas informacionais, notícias, observações de comportamentos, entrevistas, relatórios, informantes, reconhecimento fotográfico e de comunicações diversas para depois avaliar possíveis soluções e respostas.
De acordo com Tholt (2006) a avaliação de evidências como uma etapa crucial na análise, mas, em que evidências as pessoas confiam e como elas as interpretam, são influenciadas por uma variedade de fatores exógenos. As informações apresentadas em detalhes concretos e vivos freqüentemente têm impacto não garantido e as pessoas tendem a desconsiderar informações estatísticas ou abstratas que possam ter maior valor evidente.
Organizações policiais, especialmente aquelas voltadas à atividade investigativa começam a perceber que a administração da informação é uma condição estratégica. A necessidade de produzir conhecimento de forma mais rápida, em razão da complexidade e velocidade que ocorrem os fatos, vem sugerindo a necessidade de implementação de processos de gestão da informação com o suporte da Inteligência da organização.
Geralmente a atividade policial depara-se com situações complexas, onde a tomada de decisões implica na possibilidade de tomar decisões perante os problemas da criminalidade.
A Inteligência Organizacional considera a eficácia global de sua organização, do ponto de visão da sua inteligência total, ou sua habilidade para fazer coisas de um modo “inteligente”. A Inteligência organizacional pode ser definida como a capacidade de uma organização para mobilizar tudo de sua capacidade intelectual, e para foco que capacidade intelectual em alcançar sua missão. Organizações tendem a se derrotar desperdiçando energia humana e falindo na capitalização da inteligência das pessoas. Organizações "inteligentes" tendem a ter sucesso pela multiplicação da inteligência pelas pessoas e os processos que são desenvolvidos.
Na atual conjuntura, a sociedade está afundada num quadro de criminalidade e violência que modifica hábitos, aumenta gastos de governos, atinge vidas humanas. A Inteligência é quase cotidianamente invocada como uma das atividades capazes de apontar um caminho para a solução desse problema.
Atualmente, a Inteligência deixou de ser um instrumento à disposição somente de governantes para se tornar atividade de produção de conhecimento para qualquer organização que necessita de significados perante situações desconhecidas no ambiente. Numa organização policial, por exemplo, o que diferencia sua formatação da Inteligência clássica é a finalidade, definida pelas necessidades peculiares de conhecimentos sobre o crime e como as ações delitivas se desenvolvem.
Na questão da segurança pública, a Inteligência configura–se como o segundo elemento de um binômio indissolúvel. Uma necessidade intrínseca. Operada com competência por profissionais especializados com utilização da Tecnologia da Informação, disponibiliza conhecimentos a respeito da ameaça representada pelo crime estruturado e suas ações complexas. Favorece também, suporte às investigações de crimes de massa, assegurando melhores condições de atividade operacional ao homem da ponta da linha - o policial investigador ou o policial ostensivo em contato com o criminoso.
A inteligência policial atua com uma visão sistêmica da organização, contemplando todas as suas necessidades operacionais. Como atividade de assessoramento da investigação criminal desenvolve técnicas e habilidades de monitoração do crime para a efetividade das ações policiais. Monitoração é a tarefa de ficar observando os fatos e produzir conhecimento antecipado sobre os eventos criminosos. Significa ter possibilidade de ação pró-ativa e promover alertas para decisão.
Enxergar alguns passos à frente não significa que você precisa de uma bola de cristal, você somente precisa se preparar para as possibilidades incertas. O que faz um processo de alerta antecipado válido é a habilidade da organização para ajudar a evitar conduzir-se no alcance somente de resultados específicos, em detrimento da identificação de sinais do todo do ambiente (FULD, 2007).

FULD, L. M. Inteligência Competitiva: Como se manter à frente dos movimentos da concorrência e do mercado. Editora Campus/Elsevier. Rio de Janeiro. 2007.
THOLT, Carlos. Decida com Inteligência. Capítulo 10. Predisposições na Avaliação de Evidências. Editora Thesaurus. Abraic. 2006.
CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado

Consultor em Segurança, Análise de Riscos, Inteligência e Contra-inteligência.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal Aposentado.

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do
Distrito Federal.
Curso de Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento
de Operações de Inteligência. ABIN. 2000.
Curso de Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.