terça-feira, 21 de dezembro de 2010

SEGURANÇA DE INFRAESTRUTURAS CRÍTICAS


A infra-estrutura crítica de um Estado é um conjunto de instalações físicas e lógicas, redes, serviços e bens que, se descontinuados ou destruídos impactariam seriamente a saúde da população, a segurança ou a higidez da economia nacional. A infra-estrutura crítica é, de forma geral, integrada pelos seguintes setores: sistemas de geração e distribuição de energia elétrica; comunicações e tecnologia da informação; sistema financeiro; transporte; sistemas de captação, armazenamento e distribuição de água; serviços de emergência (médicos, polícia, bombeiros, defesa civil etc.).
Em oito de fevereiro de 2008, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República editou uma Portaria, a de número 2, instituindo Grupos Técnicos de Segurança de Infraestruturas Críticas (GTSIC). Estes Grupos têm por missão propor a implementação de medidas e ações relacionadas com a segurança das Infraestruturas Críticas (IEC) em áreas definidas como prioritárias: energia, transporte, água, telecomunicações e finanças.
Na Era da Informação os ataques em infra-estruturas críticas são cibernéticos. A infra-estrutura de informações está progressivamente sob ataque de “cibercriminosos”. A quantidade, o custo e a sofisticação dos ataques estão crescendo a taxas alarmantes. Algumas formas infligem, também, uma crescente ameaça às pessoas e infra-estruturas nacionais críticas (SOFAER; GOODMAN, 2001).
De acordo com Raposo (2007) os grupos terroristas têm utilizado computadores, a fim de facilitar suas tradicionais formas de atuação. Hackers com motivações políticas ou religiosas – os chamados “hacktivistas” – são recrutados por extremistas. Nesse cenário, surge o terrorismo cibernético ou “ciberterrorismo”, modalidade de perpetrar o terror, entendida como ataques contra computadores e suas redes, informações armazenadas, serviços essenciais ou infra-estrutura – telecomunicações, sistema bancário, fornecimento de água e energia elétrica, usinas nucleares, refinarias de petróleo etc. – que impliquem pânico, mortes, acidentes, contaminação ambiental ou perdas econômicas.
Segundo o FBI, os ataques informatizados representam a maior ameaça para os Estados Unidos, depois da guerra nuclear e das armas de destruição em massa, e são cada vez mais difíceis de impedir, segundo especialistas da Polícia Federal norte-americana.
Durante uma conferência em Nova York nesta terça-feira (7), Shawn Henry, diretor adjunto da divisão informática do FBI, disse que esses ataques representam o maior risco para a segurança nacional, depois das armas de destruição em massa e de uma bomba em uma de nossas metrópoles.
Os peritos americanos chegaram a utilizar o termo de "cybergeddon", ou apocalipse cibernético, uma situação em que uma sociedade avançada, na qual tudo o que é importante é ligado, ou até controlado, pelos computadores é sabotada por piratas virtuais.
Michael Balboni, secretário-adjunto de segurança pública do estado de Nova York, descreveu esse "apocalipse" como "uma ameaça imensa" contra toda a sociedade, de instituições bancárias aos sistemas municipais de monitoramento das represas.
"O primeiro ataque virtual de grande escala que se tem notícia ocorreu em 2007, na Estônia, atribuído a Rússia e que resultou na paralisação por um mês, de sites e serviços, além da desestabilização das operações no mercado financeiro dos principais bancos daquele país.
A partir de então, ações deste tipo têm se multiplicado inclusive no Brasil, que registrou em 2009, mais de 300 mil incidentes, sendo que 82,27% originaram-se no nosso próprio país. (CERT BR).
O tema tem suscitado grande preocupação em todos os países, tanto nas esferas governamentais como nas privadas. A segurança das infra-estruturas críticas dos Estados tem sido objeto de particular atenção dos órgãos de defesa e de segurança interna.
Guerra de Informações, “Information Warfare”, são operações de informação conduzidas durante período de crise ou conflito (incluindo guerra) para alcançar ou promover objetivos específicos sobre um ou mais adversários específicos. Nesse sentido a guerra estratégica de informação “strategic information warfare” é baseada em ações técnicas que buscam através do uso, como arma ou como alvo da tecnologia da informação, afetar de alguma forma o funcionamento dos sistemas de comando e controle da chamada infraestrutura crítica nacional de um oponente. Este mesmo conceito é adotado para a guerra cibernética.
No Brasil, o assunto ainda é tratado de forma insipiente. Deve merecer particular atenção dos governos estaduais envolvidos nas ações preparatórias para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas. Trabalhos de segurança de infra-estruturas críticas vêm sendo desenvolvidos por alguns setores governamentais e também por instituições privadas, contudo o assunto foca apenas algumas poucas infraestruturas como a de telecomunicações e transporte sob a ótica das suas vulnerabilidades a ataques cibernéticos.
Constata-se que os ataques aos sistemas informatizados das infra-estruturas críticas do país, em particular os que atendem ao sistema financeiro, seguem os mesmos padrões e artifícios dos que são lançados contra qualquer outra rede. Eles são conhecidos como scans de portas, buffer overflow, virus, worms, trojans spoofing, dos e ddos, spans (como tentativa de inserção de códigos maliciosos) defacement etc. Igualmente, as ferramentas de detecção e prevenção continuam os tradicionais recursos de ids, firewalls, botnets, antivirus, analisadores de rede, criptografia etc.

GOODMAN, Seymour E, SOFAER, Abraham D. The Transnational Dimension of Cyber Crime and Terrorism. 2001.
RAPOSO. Revista Brasileira de Inteligência. Brasília; Abin, v.3, n.4. 2007

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A ERA DA INFORMAÇÃO E O CRIME

Celso Moreira Ferro Júnior e George Felipe de Lima Dantas
Mudanças cognitivas acerca da percepção da realidade do mundo, que no passado remoto levavam séculos para acontecer, implicando muitas vezes no transcurso de gerações, a partir do século 20 passaram a poder ocorrer até mesmo em algumas décadas. Na atualidade do século 21, entretanto, eventualmente tiveram seus ciclos encurtados para poucos anos, ou até mesmo poucos meses em certos casos extremos.
A verdadeira revolução no mapeamento computadorizado do genoma humano é um exemplo típico das rápidas "viragens" do conhecimento em algumas áreas específicas da ciência, fruto da utilização intensiva da TI dos séculos 20 e 21. A obsolescência, obviamente, se torna uma marca desses novos tempos em que o conhecimento passa a poder ser produzido e utilizado em termos práticos (novas tecnologias aplicadas) em ciclos cada vez mais curtos.
Os atuais microcomputadores, ou "computadores pessoais" (Personal Computers -- PC) são parte essencial do processo de aceleração ou modernização do conhecimento nos séculos 20 e 21, tornando possível, corriqueiro e simples, para milhões de organizações e indivíduos, o acesso e processamento qualificado de consideráveis volumes de dados em tempos cada vez menores.
O acesso, processamento qualificado de consideráveis volumes de dados e em tempos cada vez mais curtos, com a tecnologia da micro-computação, é hoje exeqüível com qualidade e rapidez nunca antes imaginadas. Tal fenômeno não tem paralelo com o que tenha existido de mais similar no passado recente. Pertence a tal passado a utilização, restrita a um pequeno número de usuários, de computadores de grande porte e minicomputadores, ancestrais dos atuais microcomputadores, sucessores das tradicionais "máquinas de calcular", que por sua vez remontam a ferramentas computacionais tão antigas quanto o ábaco .
Assim, os microcomputadores não são apenas capazes de processar rapidamente quantidades significativas de dados com substancial qualidade agregada, mas também universalizaram tal possibilidade. Em exemplo mais recente e genérico, o complexo cultural da moderna TI passou a possibilitar a interação humana virtual, face-a-face (com som e imagem inclusive), em "ambiente da rede mundial de computadores" (a Internet entre outras), unindo e integrando indivíduos das mais variadas origens, antes completamente separados pelas grandes distâncias da Terra.
A efetividade e a rapidez das comunicações globais, fruto dos modernos sistemas de transporte e da telemática , foram fundamentais nesse processo, contribuindo para que a humanidade, antes dispersa e fragmentada, passasse a viver o fenômeno da chamada globalização, incluindo a transnacionalização . O fenômeno atinge também o crime e outros comportamentos socialmente desviantes, fazendo com que eles passem a ter novas e múltiplas expressões e possibilidades.
A globalização ou translocalização ou transnacionalização do crime e de outros comportamentos socialmente desviantes está associada a vários fatores, a maioria deles derivados da própria evolução tecnológica da sociedade moderna. Isso vem dando ensejo, inclusive, ao surgimento de uma nova tipologia delitiva que abrange os chamados "crimes cibernéticos" .
A prevalência desses novos crimes transcende os limites territoriais dos Estados Nacionais (e desde mais tempo ainda os limites das fronteiras políticas internas dos países singularmente), fazendo com que surja uma categoria de crimes translocalizados. As organizações criminais modernas, ao desenvolverem suas atividades, definitivamente deixaram de respeitar divisas ou fronteiras nacionais. Demonstram um considerável poder de articulação e planejamento, exibidos com sofisticação e arrojo.
Verifica-se também, na atualidade, uma baixa efetividade dos órgãos policiais e agências regulatórias em sua capacidade de intimidação, controle e supressão desse crime organizado (ou “reorganizado” em um novo tempo). Talvez em função de uma cada vez mais premente necessidade de reajuste da legislação, hoje em franco descompasso com modalidades delitivas e desviantes prevalentes na "Era da Informação".

Texto extraido do White Paper apresentado na Controladoria-Geral da União (CGU) e Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC)]

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A VIOLÊNCIA CRIMINOSA NO RIO DE JANEIRO: "COPYCAT"?

George Felipe de Lima Dantas
– "Copycat" na semana de 21 de novembro de 2010 no Rio de Janeiro? –Talvez sim... Copycat é uma expressão em inglês que resulta da justaposição da palavra "copy", que significa "cópia", seguida da palavra "cat", que quer dizer "gato". Ela tem sua origem no fato de que os filhotes de gatos tendam a imitar, todos juntos, o comportamento da mãe. Assim, a expressão se refere, indiretamente, às manifestações da tendência animal de reproduzir comportamentos modelados de outros indivíduos, tendência essa jocosamente representada no bordão "o que o macaco vê o macaco faz".
É interessante notar que o surto de violência no Rio de Janeiro, na semana de 21 de novembro de 2010, tenha como denominador comum dos seus episódios a queima de veículos, incluindo caminhões, ônibus e carros de passeio. Mas será que todos os incidentes foram orquestrados centralmente ou se desencadearam de maneira aleatória depois do primeiro deles? - Copycat?
O "efeito copycat" tem sido sistematicamente apontado na literatura criminológica, sempre que a ocorrência de um determinado incidente "dispara" uma onda de ocorrências ou fatos similares. O fenômeno parece ser típico, por exemplo, quando acontecem suicídios ou homicídios de grande repercussão social. Assim, a publicidade sensacionalista sobre um suicídio ou homicídio pode fazer com que, logo em seguida, aconteçam várias outras ocorrências da mesma natureza.
A mídia de postura socialmente responsável muitas vezes evita fazer menção a certos delitos, caso, por exemplo, do vandalismo, já que uma simples referência a uma dessas ocorrências pode fazer desencadear várias outras, segundo o "efeito copycat". Com o suicídio acontece o mesmo. O suicídio do músico do líder da banda norte-americana Nirvana, Kurt Cobain, em 1994, parece estar relacionado com uma série de suicídios subseqüentes.
Uma das bases teóricas explicativas do chamado "efeito copycat" é a "Teoria da Aprendizagem Social" ou "Teoria da Modelagem".
A "Teoria da Aprendizagem Social" (TAS) ou "Teoria da Modelagem" (TM) sustenta que os indivíduos podem aprender determinados comportamentos socialmente, de maneira informal, incluindo como portar-se em situações específicas, simplesmente pela observação uns dos outros. Tal aprendizagem estaria condicionada pela observação de que os comportamentos verificados nos "modelos" produziriam os resultados por eles almejados. Assim, a imitação seria procedida da expectativa de obter os mesmos resultados observados na ação ou comportamento modelado. Referindo a situação específica do Rio de Janeiro, é possível inferir que a cada incidente de violência reportado pela mídia a criminalidade local tem sua "efetividade" reforçada, independente dela estar constituída por um único grupo ou vários deles.
A mídia, tão abundante na sociedade moderna, produziria, em seus relatos, muitas das "situações modelo" para aprendizagem pela imitação ou modelagem. Tendo em conta o valor supostamente positivo atribuído pela mídia às situações por ela retratadas como "ideais", quer seja no plano real ou ficcional, isso faria dela uma poderosa fonte de modelagem de "comportamentos sociais almejados". Mas também de comportamentos anti-sociais... Assim, a mídia seria uma das fontes mais determinantes de modelos de como a sociedade deveria funcionar e, correspondentemente, de como os indivíduos devem comportar-se em situações sociais específicas.
A "Teoria da Aprendizagem Social" (TAS) ou "Teoria da Modelagem" (TM) foi desenvolvida originalmente pelo psicólogo Albert Bandura (Mundare, Canadá, 1925). No plano da criminologia, a TAS serviria para explicar, de maneira esquemática geral, como a agressão é aprendida "por modelagem". Contrariando esquemas teóricos positivistas que apontam que as tendências violentas seriam "herdadas biologicamente", a TAS ou TM sugere que elas seriam "aprendidas ou modeladas socialmente". Em um primeiro estágio do desenvolvimento psicossocial as crianças aprenderiam "respostas agressivas" ao observar outras pessoas (na família primordialmente), através da mídia (nos "desenhos", por exemplo) ou no ambiente social externo à família (com os "amiguinhos" basicamente). Isso eventualmente levaria o indivíduo a um "reforço positivo" em relação a certos comportamentos observados, o que implicaria que eles devessem ser emulados ou copiados sistematicamente, vis-à-vis promoverem ganho material, ganho da estima de terceiros ou mesmos ganhos na própria auto-estima. Novamente voltando ao caso do Rio de Janeiro, é conhecida a tonitruância da marginalidade local, particularmente em relação aos membros imediatos das diversas comunidades tomadas por grupos de delinqüentes ligados ao narcotráfico.
Se as teorias de Bandura explicam, na modelagem da aprendizagem social, as causas da agressão, decorrentemente, autores mais recentes trabalham com a previsibilidade de episódios emulados de episódios anteriores. É esse o caso de Loren Coleman em sua obra relativamente recente, "O Efeito Copycat" (The Copycat Effect) de 2004.
Segundo Coleman, situações passadas podem servir para previsão da ocorrência de eventos futuros nelas modeladas. Este seria o caso, por exemplo, de ocorrências de violência letal com incidência nas escolas. Entre tais inferências, vale destacar a de que novos episódios tendem a ocorrer no início do primeiro ou no final do segundo semestre do ano letivo. Também é digna de nota a observação de que ocorrências de violência letal nas escolas guardem um padrão temporal em sua emulação, fazendo com que os fatos se repitam algum tempo depois do episódio noticiado pela mídia, podendo ocorrer a curto, médio ou longo prazo, dependendo do "relógio interno" do seu autor. Não menos importante, podem ser emuladas também as características do autor, das vítimas e até mesmo do modus operandi utilizado originalmente. Nesse último caso haveria um paralelismo com os incêndios criminosos de veículos no Rio de Janeiro de novembro de 2010.
Dentre todas as conclusões de Coleman, a mais importante talvez seja a de que ocorrências intensamente veiculadas pela mídia terão maior possibilidade de ser objeto do fenômeno de modelagem, se constituindo, portanto, em significativas ameaças a partir de sua ocorrência e conseqüente divulgação pública. O fenômeno vulgarmente denominado de "copycat", portanto, talvez faça parte da dinâmica social muito mais intensamente do que faz supor o senso comum.
A Violência Criminosa no Rio de Janeiro: "Copycat"? - Talvez sim...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

INTELIGÊNCIA POLÍTICA

FERRO JÚNIOR, Celso Moreira e
SEIXAS, Acyr Pitanga

A atividade de Inteligência é antecipação . Objetiva disponibilizar uma visão ampla e detalhada de cenários com vistas ao assessoramento de um processo decisório. A Política por sua vez, é a arte ou ciência da organização, direção e administração de Estados e a aplicação desta arte aos negócios internos e externos do governo. Atualmente a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.
Nesse contexto, considera-se Inteligência Política, a atividade dinâmica de assessoramento para a tomada de decisões no âmbito político. Desenvolve-se basicamente pela prospecção de dados e informações que, reunidos, organizados, analisados e interpretados, possibilitam a formação de conhecimento consolidado. É um trabalho indispensável para instrumentar o processo político de seus líderes e agentes partidários de coordenação política.
O método da Inteligência Política contém as seguintes atividades e ações:
a) Análise e diagnóstico das relações e vínculos políticos; b) Antecipação de fatos e situações que ocasionem comprometimento político; c) Identificação de ameaças, traições e atos insidiosos de qualquer natureza; d) Neutralização de ações adversas à integridade da imagem institucional do líder político; e) Recrutamento de colaboradores como fontes de informação; f) Inserção de recursos humanos em atividades de campanha política; g) Monitoração e acompanhamento de eventos e reuniões públicas, e h) Gerenciamento de crise de imagem.
O gerenciamento de crise de imagem é um trabalho de intensa relação com fontes de informação e a mídia. Visa preservar a imagem de uma pessoa ou empresa no decorrer, ou antes, de uma crise. Considera a redução de perdas no momento em que ocorre uma situação de ameaça ou ações que podem causar danos à imagem do político ou legenda, bem como, comprometer seriamente a integridade e ferir reputações.
O trabalho envolve o monitoramento da imprensa em geral e a coleta de informações. A sua análise provê um diagnóstico para definir o caminho a ser seguido. Os profissionais que atuam nesta área estabelecem estreito relacionamento com a mídia, possuem expertise em análise de conjuntura política e capacidade de obtenção de informações.
O gerenciamento de imagem de líderes, agentes partidários e de coordenação política tem como objetivo a construção de uma imagem positiva. As seguintes medidas são aplicadas:
a) Fixação de conceito de imagem e reputação; b) Avaliação de riscos e vulnerabilidades políticas; c) Análise e aferição da credibilidade; d) Identificação de fatores que causam e/ou aumentam o risco da crise; e) Elaboração de um projeto e programa de enfrentamento da crise; f) Divulgação de notas, artigos e matérias; g) Orientações para aprimoramento do comportamento em entrevistas, e h) Orientação nas apuração dos profissionais de área de imprensa.
O gerenciamento de crise política apóia-se na capacidade de antecipação de acontecimentos (atividade de inteligência). Por sua vez, assessora no estabelecimento de acordos e alianças políticas, bem como entendimentos com a imprensa sobre a imagem do cliente.
O potencial da atividade de inteligência política também está na estrutura tecnológica de armazenagem, recuperação e reutilização de informações. Neste aspecto, considera-se uma faixa temporal extensa para facilitar a busca de conhecimento em vários períodos memoriais de campanhas políticas. A implementação destes processos, com pessoal especializado, aumenta a capacidade de produção de informação com significado , e potencializa o produto por meio da interpretação do grande volume de informações em fontes variadas.
Profissionais que atuam em Inteligência Política devem possuir habilidades na produção de conhecimento, de forma oportuna, e em condições de realizar diagnósticos, com identificando padrões, tendências de fatos e situações de interesse dos políticos.
De acordo com Alan J Simpson a Inteligência Política olha para o conjunto de cenários, tendências e padrões. As análises para os clientes são confidenciais. Muito pouca inteligência política é publicada na Internet. A verdadeira inteligência é tão valiosa quanto a ser limitada em circulação, mantendo seu valor na preservação do conteúdo e sigilo.
A Inteligência Política é focada nas necessidades do cliente. O processo de coleta diária de notícias, relatórios e comunicados de imprensa e o seu acompanhamento é determinado pela cenário atual. Muito poucas operações cobrem tudo o tempo todo. Os atores políticos são especialistas em poluição da mídia, especialmente a eletrônica, com informações falsas e enganosas de opinião. Este material, facilmente obtido, não é adequado para tomada de decisões políticas.
A Inteligência Política é uma atividade muito procurada. Contudo, poucos são os profissionais especializados e que nela atuam de forma abrangente. Ninguém pode prever com certeza absoluta os efeitos das forças políticas de um adversário sem o uso de ações específicas de Inteligência. Analistas podem reduzir riscos ao fazer previsões com base no que é conhecido sobre as tendências políticas e pesquisas. Porém, sem a aplicação de medidas especiais de inteligência o resultado fica mais próximo da incerteza, com possibilidade de erros e estratégias deficientes.
São raros os profissionais e empresas especializadas no ramo. A TrueSafety Ltda., http://www.truesafety.com.br/ sediada em Brasília, com atuação nacional, oferece consultoria em Inteligência Política. Sua atuação contempla os métodos e conceitos aqui descritos. Além disso, detém elevada capacidade de monitoramento de volume qualificado de informações (análise de vínculos i2), mineração sistemática em fontes abertas , uso de alta tecnologia na prospecção de Informações, bem como possui profissionais altamente qualificados.
O Profissional da Informação em Atividades de Inteligência Competitiva. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewFile/2477/4145. Acesso em 11/09/2010.
Definição de Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Política#Poder_pol.C3.ADtico. Acesso em 17/08/2010.
Gerenciamento de Crise de Imagem da Lush Brasil. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sudeste2008/expocom/EX9-0341-1.pdf. acesso em 14/09/2010.
A Inteligência Organizacional, Análise de Vínculos e a Investigação Criminal. Disponível em: http://www.bdtd.ucb.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=746. Acesso em: 16/09/2010.
What is Political Intelligence? Disponível em: http://www.comlinks.com/polintel/pi080103.htm. Acesso em 15/09/2010.
Fontes abertas e Inteligência de Estado. Agencia Brasileira de Inteligência. Disponível em: http://www.abin.gov.br/modules/mastop_publish/?tac=Fontes_abertas_e_Intelig%EAncia_de_Estado. Acesso em 16/09/2010.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A "MÍSTICA" DA INTELIGENCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (ISP)

George Felipe de Lima Dantas
Considerações sobre a "mistica" da Inteligência de Segurança Pública remetem a questão da Análise Criminal e da ISP ao domínio de uma nova (em aparentemente óbvia oposição a uma "antiga") "cultura de gestão do conhecimento". É referência nessa área a pesquisa acadêmica do Professor Mestre em Ciência Celso Moreira Ferro Júnior (ex-agente e ex-delegado da PCDF, atualmente advogado com prática em Brasília). A referência específica ao trabalho de Ferro Júnior (dissertação de mestrado na Universidade Católica de Brasília - Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação) consta na web. Tive a oportunidade de examinar o trabalho do Professor Ferro Júnior "em banca" e com isso adquirir algum conhecimento e compreensão sobre esse tema tão atual e sempre tão polêmico.
Realmente existe (e/ou existiu) uma "mística da ISP", em que ao menos alguns conhecimentos por ela tratados, ao extremo da totalidade deles, devessem ficar circunscritos a um determinado "círculo de 'iniciados'".
A mística referida parece advir de "outros tempos" em que os produtores de ACT [Análise Criminal Tática (ACT), considerando a também existência de uma Análise Criminal Estratégica (ACE)], bem como os objetos da ACInv [Análise Criminal Investigativa (ACInv), considerando a também existência de uma Análise Criminal de Inteligência (ACI)] estivessem todos eles (analistas e produtos/temas substantivos) vinculados e comprometidos com outros ideais e valores, quiçá distintos dos ideais e valores dos atuais operadores da segurança pública.
É importante notar também que, em qualquer conjuntura histórica (incluindo a do contexto a que referimos a ISP no "aqui e agora"), o significado da expressão "Inteligência" se apresentará em uma trilogia em que o termo alternativamente representará (i) um método, (ii) uma estrutura administrativa/"órgão" (caso de uma Agência de Inteligência -- AI) ou, (iii) um produto/"documento" (caso dos atuais Relatórios de Inteligência -- "RelInts").
É possível mistificar certas "estruturas administrativas" e/ou seus "produtos", considerando a trilogia acima referida. Mas parece impossível poder fazer o mesmo com referência a um "método". O método a que refiro é uma "entidade intelectual" e, por isso mesmo, em sua utilização, pode ser aplicado por qualquer um, independente da estrutura administrativa de pertencimento de quem o aplica ou da formalidade que se empreste ao objeto ou documento por ele produzido.
A obra de Umberto Eco -- "O Nome da Rosa" – é bastante emblemática da independência que pode ter o operador de um método investigativo, mesmo em oposição a outros operadores, tão empoderados quanto foram os inquisidores medievais... Não é por outra razão que hoje toma corpo uma "Inteligência Corporativa", "Inteligência Empresarial" ou como quer que se possa chamar uma atividade que tem no "método" sua interface com a "Inteligência Clássica" ou "Inteligência de Estado".
Tudo isso escrito e aqui posto, retornamos a questão da "mística" da Inteligência de Segurança Pública, para sugerirmos que o "método" da AC/ISP, tanto enquanto "entidade intelectual" (livre para utilização por qualquer um que possa compreendê-lo e dele fazer uso) quanto pela sua necessidade para o encaminhamento dos graves problemas atuais de segurança pública do país (incluindo a realização futura no país de dois mega-eventos internacionais -- em 2014 e 2016), é algo possível e comprovadamente efetivo e necessário -- independente de outras variáveis -- incluindo má lembranças de um tempo que já passou...
Prof.Doutor George Felipe de Lima Dantas
(61) 3393-6468 e/ou 9952-6290

sexta-feira, 2 de julho de 2010

INTELIGÊNCIA DE FONTES ABERTAS

George Felipe de Lima Dantas e
Celso Moreira Ferro Júnior
Existe uma “nova maneira antiga” de produzir informação de significação estratégica, sob a norma de conhecimento de valor político, econômico, social, militar e até mesmo civil, tanto na atividade comercial quanto de marketing político. Tal fenômeno transcende os conceitos clássicos do que seja informação e respectiva atividade de inteligência (“’espionagem civil’ em um novo século”?). Seria o caso de uma “Nova Inteligência da Era da Informação”? – Parece que sim...
É isso que ocorre quando grandes quantidades de dados e informações, profusamente produzidos, transmitidos e hoje disponíveis na chamada “Era da Informação”, passaram a poder ser reunidos, organizados, “colados” e analisados, do que resulta um conhecimento que servirá para instrumentar o processo decisório, tanto de agentes do setor público quanto privado.
Essa “Nova Inteligência da Era da Informação” abarca novos conceitos, incluindo o de “Inteligência de Fontes Abertas” (IntelFA). Ela é uma forma de gestão do conhecimento, com a coleta de informação e conseqüente produção de conhecimento (atividade conhecida e mistificada glamourosamente quando se utiliza de meios encobertos/clandestinos para obter o chamado “dado negado”…), mas que hoje pode envolver, e tão somente encontrar, selecionar e adquirir informação de fontes de acesso público, depois processada em conhecimento de valor preciso, útil e oportuno para diversas finalidades públicas e privadas pré-determinadas.
A expressão “Fonte Aberta”, em conotação com a IntelFA, não tem nenhuma relação com a mesma expressão quando utilizada no contexto da Tecnologia da Informação. Com tal significação, a mesma expressão -- “fonte aberta” -- indica que um determinado produto informacional não está “fechado” em termos de preservação de segredos da sua arquitetura e funcionalidade lógica (algoritmos inclusive) e propriedade intelectual correspondente.
A IntelFA tem como “matéria prima” vários tipos de informações. Ela pode valer-se de fontes midiáticas, circunstância em que sua matéria prima para processamento estará disponível originalmente em jornais, revistas, programas de televisão e de rádio, ou contida em outros tipos de fontes jornalísticas hoje existentes no ambiente virtual da rede mundial de computadores.
A IntelFA também pode valer-se de material proveniente do mundo virtual, sem que ele seja, entretanto, midiático. É esse o caso em relação a produtos das modernas "comunidades sociais", em suas diferentes expressões. Uma característica marcante de tal tipo de fonte é o fato dele ser “de conteúdo gerado pelo próprio usuário”. É esse o caso das redes sociais, sítios pessoais em geral, sítios de material visual compartilhado, “wikis”, blogs e similares. Em tempos de "marketing eleitoral", essas fontes estão assumindo um significado todo especial, fazendo parte de um embate político-eleitoral que apenas começa a ser detectado e avaliado. Um dos marcos desse novo "campo de enfrentamento" foi a própria eleição presidencial dos EUA.
Um outro tipo de IntelFA lida com insumos que derivam da área oficial. Eles incluem fontes documentais tão diversas quanto “diários oficiais”, orçamentos públicos, processos de licitatórios, processos legislativos, contratos públicos, etc. Importante enfatizar que existe no Brasil uma vasta gama de documentos do gênero que precisam estar disponíveis publicamente, dado o princípio da “publicidade” que é necessariamente aplicado no caso de “negócios públicos”.
Outra das fontes da IntelFA resulta de atividades estritamente de observação e descrição. É o caso da observação realizada por pequenas aeronaves não-tripuladas (recurso hoje comum em vários países do mundo atual); sistemas de monitoramento de radio-transmissão (vários deles resultantes da chamada “Guerra Fria”); sistemas de observação por satélite (caso do "Google Earth"), Sistemas de Circuito Fechado de Televisão” (CFTV), etc. Vale destacar a relevância global dos atuais produtos e serviços do “Google Earth”, oriundos das atividades de diferentes empresas do setor privado, quando antes isso somente seria possível em situação monopolizada por órgãos de Estado ou, no mínimo, sob estrita tutela governamental indireta.
Outra fonte da IntelFA pode ser identificada no meio acadêmico ou técnico-profissional. É o conhecimento comunicado em artigos, conferências, encontros, simpósios, etc, bem como documentação especializada regularmente difundida por organizações especializadas técnico-profissionais. Aí estão incluídos tanto órgãos para-estatais quanto privados de razoável nível de credibilidade – as chamadas organizações não-governamentais (ONGs), tão em moda na contemporaneidade.
Uma característica peculiar da informação do século 21 é o fato dela poder assumir uma dimensão geoespacial. Por isso mesmo, a IntelFA inclui não apenas textos não-estruturados, codificados em linguagem semântica ordinária. Ela hoje inclui também mapas, dados de navegação (como os hoje populares dados de sistemas de navegação por geoposicionamento por satélites para orientação de veículos privados), imagens terrestres tomadas por satélites para utilização comercial e outras tantas informações mais de codificação geoespacial.
Importante notar que os "insumo informacionais" da IntelFA não estão necessariamente “web based” (contidos na rede mundial de computadores), podendo estar disponíveis, por exemplo, em arquivos de Sistemas de Informação Geográfica (Geographic Information Systems – GIS) contidos em mídia comum de transporte e circulação de arquivos digitais.
É importante ter em mente que a IntelFA não pode ser confundida com a atividade de pesquisa genericamente considerada. Ainda que tanto uma atividade quanto a outra resultem na criação de conhecimento, o produto resultante da IntelFA resulta da aplicação do “método de inteligência”, do que decorre que seus produtos guardem, função disso, a peculiaridade de poder apoiar processos decisórios específicos e envolvendo atores e organizações pré-determinadas. 
A peculiaridade da IntelFA pode ser percebida a partir de suas definições. Uma delas é a provida pelo Diretor de Inteligência dos EUA e pelo Departamento de Defesa daquele mesmo país: “A Inteligência de Fontes Abertas (Open Sources Intelligence) é produzida a partir de informação publicamente disponível e que é coletada, explorada e disseminada de maneira oportuna, para uma audiência apropriada, com o propósito de atender um requisito específico de inteligência”.
A inserção de organizações do setor privado na produção de IntelFA é um fato incontestável nos tempos atuais. Nos EUA já existem empresas formalmente estabelecidas como “vendedoras de IntelFA”. E isso é tão verdadeiro que a IntelFA consta como item do Código Comercial do Escritório de Gestão e Orçamento dos EUA – sob a “rubrica de ‘Forças de Apoio Direto’”, sob o número M320 -- Coleta e Processamento de Inteligência de Fontes Abertas. O item está assim numerado e classificado, inclusive, enquanto objeto comercial do interesse do Ministério da Defesa dos EUA.
A IntelFA está produzindo uma verdadeira "revolução silenciosa" nos ambientes clássicos da atividade de Inteligência. É o lado oculto, para a maioria, de algo conhecido e bastante utilizado, ainda, apenas por alguns. Os benefícios disso apenas começam a aparecer...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O RACIOCÍNIO DA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

Existe uma relação entre atividade de inteligência e investigação criminal. Na verdade, a inteligência tem por objetivo processar informações, geralmente em larga escala para assessorar a investigação criminal. A inteligência é um instrumento pelo qual a investigação criminal atua no estudo e compreensão de fatos complexos ou conjunto de fatos em sua evolução no tempo. Atua com mais ênfase no campo diacrônico com a análise de conjunto dos fenômenos sociais, criminais que ocorrem e se desenvolvem através do tempo e espaço.
Uma visão holística da criminalidade é considerada na sua relação com uma totalidade maior, através da qual adquire sentido quando se faz a descoberta de ligações pertinentes de forma integral de diversos fenômenos. O que é relevante no entendimento integral dos fenômenos é sua contraposição ao procedimento simplesmente estatístico e analítico (quantitativo) em que os elementos são tomados isoladamente.
A Inteligência Policial e a investigação criminal trabalham em um ambiente informacional, e de certa forma, através de inúmeras evidências antes de obter a informação com significado. As evidências provêm de um conjunto de fontes diversas onde o analista busca inicialmente o conhecimento: bases de dados, sistemas informacionais, notícias, observações de comportamentos, entrevistas, relatórios, informantes, reconhecimento fotográfico e de comunicações diversas para depois avaliar possíveis soluções e respostas.
De acordo com Tholt (2006) a avaliação de evidências como uma etapa crucial na análise, mas, em que evidências as pessoas confiam e como elas as interpretam, são influenciadas por uma variedade de fatores exógenos. As informações apresentadas em detalhes concretos e vivos freqüentemente têm impacto não garantido e as pessoas tendem a desconsiderar informações estatísticas ou abstratas que possam ter maior valor evidente.
Organizações policiais, especialmente aquelas voltadas à atividade investigativa começam a perceber que a administração da informação é uma condição estratégica. A necessidade de produzir conhecimento de forma mais rápida, em razão da complexidade e velocidade que ocorrem os fatos, vem sugerindo a necessidade de implementação de processos de gestão da informação com o suporte da Inteligência da organização.
Geralmente a atividade policial depara-se com situações complexas, onde a tomada de decisões implica na possibilidade de tomar decisões perante os problemas da criminalidade.
A Inteligência Organizacional considera a eficácia global de sua organização, do ponto de visão da sua inteligência total, ou sua habilidade para fazer coisas de um modo “inteligente”. A Inteligência organizacional pode ser definida como a capacidade de uma organização para mobilizar tudo de sua capacidade intelectual, e para foco que capacidade intelectual em alcançar sua missão. Organizações tendem a se derrotar desperdiçando energia humana e falindo na capitalização da inteligência das pessoas. Organizações "inteligentes" tendem a ter sucesso pela multiplicação da inteligência pelas pessoas e os processos que são desenvolvidos.
Na atual conjuntura, a sociedade está afundada num quadro de criminalidade e violência que modifica hábitos, aumenta gastos de governos, atinge vidas humanas. A Inteligência é quase cotidianamente invocada como uma das atividades capazes de apontar um caminho para a solução desse problema.
Atualmente, a Inteligência deixou de ser um instrumento à disposição somente de governantes para se tornar atividade de produção de conhecimento para qualquer organização que necessita de significados perante situações desconhecidas no ambiente. Numa organização policial, por exemplo, o que diferencia sua formatação da Inteligência clássica é a finalidade, definida pelas necessidades peculiares de conhecimentos sobre o crime e como as ações delitivas se desenvolvem.
Na questão da segurança pública, a Inteligência configura–se como o segundo elemento de um binômio indissolúvel. Uma necessidade intrínseca. Operada com competência por profissionais especializados com utilização da Tecnologia da Informação, disponibiliza conhecimentos a respeito da ameaça representada pelo crime estruturado e suas ações complexas. Favorece também, suporte às investigações de crimes de massa, assegurando melhores condições de atividade operacional ao homem da ponta da linha - o policial investigador ou o policial ostensivo em contato com o criminoso.
A inteligência policial atua com uma visão sistêmica da organização, contemplando todas as suas necessidades operacionais. Como atividade de assessoramento da investigação criminal desenvolve técnicas e habilidades de monitoração do crime para a efetividade das ações policiais. Monitoração é a tarefa de ficar observando os fatos e produzir conhecimento antecipado sobre os eventos criminosos. Significa ter possibilidade de ação pró-ativa e promover alertas para decisão.
Enxergar alguns passos à frente não significa que você precisa de uma bola de cristal, você somente precisa se preparar para as possibilidades incertas. O que faz um processo de alerta antecipado válido é a habilidade da organização para ajudar a evitar conduzir-se no alcance somente de resultados específicos, em detrimento da identificação de sinais do todo do ambiente (FULD, 2007).

FULD, L. M. Inteligência Competitiva: Como se manter à frente dos movimentos da concorrência e do mercado. Editora Campus/Elsevier. Rio de Janeiro. 2007.
THOLT, Carlos. Decida com Inteligência. Capítulo 10. Predisposições na Avaliação de Evidências. Editora Thesaurus. Abraic. 2006.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A COMUNICAÇÃO E A INTELIGÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

A comunicação é um componente da Inteligência Organizacional que está além das transmissões em redes de computação e informativos internos administrativos. Refere-se também aos recursos disponíveis, e quase todos de caráter verbal, como a propaganda, divulgação da imagem e fixar a identidade da organização.
Contempla recursos de propaganda, habilidade de produzir contrapropaganda desenvolver ações relativas à desinformação. Não se resume simplesmente no ato de realizar contatos com a imprensa, mas definir também procedimentos para os discursos formais de diretores, processos para enunciar a política e a estratégia institucional, bem como promover a difusão e a publicação de resultados. Até aqueles atos mais sutis, normalmente não entendidos ou não considerados expressivos, como os da visualidade da organização e da gestualidade dos dirigentes, a arquitetura das instalações físicas, a postura e vestimenta das pessoas, o atendimento acessível e celeridade de serviço, são importantes.
Em síntese, é a forma de transmissão de informações e conhecimentos que flui em uma organização ou fora dela, entre atores humanos e em sistemas, além daquelas trocas que ocorrem entre uma organização e seu ambiente formal de relação profissional (imprensa, comunidade, órgãos de governo etc.).
É evidente que a presença de processos de comunicação não deve ser entendida apenas como complementos da estratégia organizacional, mas sim como componentes essenciais na construção de uma estratégia comum.
A comunicação organizacional necessita ser entendida de maneira integral, como um componente que atravessa todas as ações da organização e configura de forma permanente, a construção da cultura e a identidade. Cada vez mais se torna evidente como os processos de comunicação contribuem para desenvolver formas de inter-relação mais participativas e, portanto, mais comprometidas, dando maior flexibilidade às organizações como base de sua permanente transformação e facilitando sua interação social de modo responsável para conjugar seus interesses com as condições culturais, econômicas e políticas nas quais se movem (CARDOSO, 2006).
Assim, surgem novas dimensões para a comunicação organizacional, que a vejam como um processo amplo, que se confunde com a própria estratégia da organização, e não a restringe apenas às situações internas da organização ligadas a atos de pessoas e departamentos.
Na definição de Lévy (1993), comunicação são palavras, frases, letras, sinais ou caretas que interpretam, cada um à sua maneira, a rede de mensagens da organização que influi sobre o significado das mensagens futuras. Um sistema de comunicação significa uma teia de relações com características de rede de informações. O conhecimento como rede tem sido a metáfora mais adequada, não importa muito, portanto, onde estão depositadas as grandes massas de informações. O que verdadeiramente interessa é que elas transitem, cresçam, aperfeiçoem-se na interconexão e sejam colocadas à disposição no momento certo, para as pessoas certas, na medida adequada para nos ajudar a resolver questões específicas.
A quantidade de informações existentes em organizações policiais que pode ser transformada em conhecimento é imensa. Por isso mesmo é fácil perceber que o foco da questão, nos dias atuais, não é mais a quantidade de informação produzida, mas sim a qualidade e a abrangência da informação e a estrutura de comunicação que permite seu aproveitamento pela organização. A comunicação e a estrutura da informação referem-se à condição de transformar a imensa massa de informações em conhecimento pertinente.
A comunicação implica uma estrutura de movimento informacional no espaço sem fronteiras. A comunicação estende suas ligações em forma de tentáculos num ambiente distribuído de conhecimentos. Portanto, numa dimensão coletiva, a estrutura de informação na comunicação refere-se ao compartilhamento entre todos, na medida em que cada nova informação e conhecimento acumulado pelo sistema promove uma interação de diviersos setores.
A necessidade de interação com o movimento das informações nos remete a uma idéia e dimensão de ciberespaço, como na forma do hipertexto, considerando aqui os aspectos de organização de conhecimentos, dados, informações e comunicação de forma não-linear (FACHINELI, RECH, MATTIA, 2005). Neste ponto de vista, o hipertexto é um dispositivo de representação e de comunicação que pode ser utilizado como metáfora para a compreensão do processo comunicacional e funcionamento do sistema em rede da organização.
Desta forma, numa organização policial a comunicação produz um universo de sentido circular da comunicação, ou seja, cada informação ou cada conhecimento novo gerado estimula toda a rede da organização policial e contribui para a remodelação da rede.
Participar de uma rede organizacional envolve, portanto, algo mais do que apenas trocar informações ou informes a respeito dos trabalhos que um grupo realiza isoladamente. Esta rede significa comprometer-se a realizar conjuntamente ações compartilhadas anexando valor e atuando de forma flexível, transpondo, assim, fronteiras geográficas, hierárquicas, sociais ou até políticas.
A constituição de uma teia de relações em torno de objetivos delimitados e fortemente compartilhados, articulada para a concretização de atividades diversas e mutáveis, amplia o campo de ação das organizações, gerando aumento do potencial competitivo (AYRES, 2001).
Considerando o contexto da investigação criminal, a comunicação produz uma malha e tráfego de informações compartilhadas, ao mesmo tempo em que contribui para a compreensão dos processos investigativos inerentes ao fenômeno criminal como um todo, potencializando toda a atividade.

AYRES, B. R.C. Os centros de voluntários brasileiros vistos como uma rede organizacional baseada no fluxo de informações. Revista de Ciência da Informação, v.2, n.1, fev/2001.
CARDOSO, O. O. Comunicação Empresarial Versus Comunicação Organizacional: novos desafios teóricos. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rap/v40n6/10.pdf. Acesso em: 23/07/2006.
FACHINELLI, A. C., RECH J. e MATTIA, O. M. A Dinâmica da Informação na Comunicação Organizacional: A Perspectiva do Hipertexto e da autopoiese1. Universidade de Caxias do Sul (UCS). 2005. Disponível em: http://sec.adaltech.com.br/intercom/2005/resumos/R1647-1.pdf. Acesso em: 23/07/2007.
LEVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: O Futuro do Pensamento na Era da Informática. Editora 34. 13ª Edição em 2004. São Paulo. 1993.

terça-feira, 23 de março de 2010

A APRENDIZAGEM NA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

A aprendizagem organizacional tem como pano de fundo a gestão da informação (BEMFICA, BORGES, 1999). Nas organizações modernas, prolifera a construção de modelos de aquisição de conhecimento organizacional baseado em infra-estruturas e sistemas em redes que se tornam fontes básicas de informação acessível por todas as pessoas e setores na busca de significados para a solução de problemas.
No contexto da investigação criminal, ou seja, acerca de como obter aprendizagem por meio de um processo cognitivo, é necessária uma abordagem menos fundamentada e mais pragmática do tema da informação como recurso essencial à investigação criminal. Conceitualmente, informações é em larga medida, instrumental, e matéria prima da investigação criminal.
A Investigação criminal é um conjunto de procedimentos para o esclarecimento de fato delituoso e descoberta de autoria. É um conjunto de providências informativas desenvolvidas para esclarecer condutas criminosas. Tem como base a instrução, conjunto de dados e informações coletados para formar a convicção.
Nesse sentido as organizações policiais não podem prescindir de enormes avanços em infra-estrutura tecnológica em relação ao próprio funcionamento e no tratamento de quantidade imensurável de informações, incrementando áreas específicas de análise e gestão do conhecimento, comunicação formal e informal, administração de redes e logística.
A questão básica se refere à efetiva estrutura de gestão da informação, promovendo uma adaptação do sistema e reconstrução de procedimentos para a inovação da investigação criminal, tecnicidade, análise e integração de bases informacionais. Na essência, o processo conduz as organizações policiais para aumento da capacidade investigativa com visão de contexto, global e em rede multidimensional, cujo processo caminha para a multiplicação de de habilidades, gerando aprendizagem contínua. Isso demonstra de forma pragmática a necessidade de alteração de procedimentos investigativos e reestruturação do circuito do método e o fluxo da informação.
A atualização da doutrina da investigação criminal ocorre pelo ciclo de aprendizagem que envolve a crítica de várias regras empíricas, tradicionais, procedimentos e o funcionamento do processo atual. Uma das grandes barreiras é a legislação processual penal. Entretanto, há uma relevante importância no processo de coleta, armazenamento, interpretação e análise da informação, cujo principal resultado é inovar os procedimentos investigativos.
O que muda na organização policial é a perspectiva de visão dos fatos que ocorrem no ambiente social, principalmente em casos complexos. Alguns fatores evidenciam a capacidade de visão ampliada do crime e as vezes preditiva na aplicação da análise de vínculos:
• Rápida identificação de relacionamentos, participação, co-autoria e associação;
• Capacidade aumentada pela extração de volume de informações e fluxo de comunicações entre criminosos, gerado pela análise dos dados de ligações decorrentes da interceptação telefônica;
• Verificação da movimentação financeira e ramificações de contas bancárias (lavagem de dinheiro);
• Constatação de transferência de bens móveis e imóveis;
• Demonstração gráfica do movimento do crime pela análise do posicionamento de sinais nas estações de rádio base das operadoras de telefonia;
• Detecção instantânea do vínculo e reatividade de pessoas com fatos e ocorrências armazenadas;
• Localização textual de argumentos e palavras nas bases armazenadas em tempo real e associação de documentos e textos referente a assuntos semelhantes;
• Visualização de várias entidades num mesmo gráfico, sendo que entidade é uma representação para identificar a natureza das informações no sistema.

Além dos aspectos acima, a organização policial ganha em celeridade das demais atividades acessórias, a partir da condição de que todos têm acesso ao conhecimento novo armazenado no “Cérebro de Informações” da Organização. No nível estratégico, a memória de inúmeros casos solucionados, evita-se diligências repetitivas para a busca de informações, ou seja, retrabalho cumulativo.
No nível operacional, principalmente pelo exercício do monitoramento, os setores investigativos conseguem detectar uma re-atividade de ações e de criminosos que agem novamente com outros comparsas, podendo-se ainda, pela ação da Inteligência, se antecipar na identificação de conexões de grupos (quadrilhas) com outros grupos e sua atuação interestadual.
Dependendo da massa de informações que o investigador obtém e a complexidade das relações ilícitas possíveis que surgem no caso investigado, ele passa a ter dificuldades de estabelecer as conexões lógicas dos fatos e realizar as associações necessárias entre pessoas, empresas, objetos etc. É nesta situação que um sistema (processo de fluxo de informação) como se fossem neurônios apresenta sua importância, bem como a atuação do analista que interage entre o investigador e a tecnologia.
Não é difícil deduzir que em pouco tempo todo investigador tornar-se-á um analista e fará uso da análise antes da investigação, operando a rede de conhecimento, obtendo uma aprendizagem dinâmica a cada situação nova.
De acordo com Choo (2003), o conhecimento reside na mente dos indivíduos, e esse conhecimento pessoal precisa ser convertido em conhecimento que possa ser partilhado e transformado. Quando existe conhecimento suficiente, a organização está preparada para a ação e escolhe seu curso racionalmente, de acordo com os objetivos.
As organizações policiais articuladas para a aprendizagem adquirem uma compreensão de que a ação eficaz é devido ao resultado dinâmico de relações entre informações, eficiência potencial e relacionamentos interpessoais, eficiência real, permitindo modificações substanciais nos seus procedimentos.
Para Chiavenato (2004) a eficiência potencial compreende as tarefas, instalações físicas, equipamentos e instrumentos utilizados, envolve a tecnologia e a operação das tarefas. A eficiência real compreende as pessoas, sua características físicas e psicológicas, relações sociais entre indivíduos encarregados da tarefa e sua organização formal e informal na situação de trabalho.
Na verdade, a soma de habilidades (experiência e análise com tecnologia) torna-se relevante para a organização, pois estabelece um curso de aprendizagem conjunta. Senge (2006) afirma que habilidades desenvolvidas em equipes podem propagar para outros indivíduos e outras equipes e definir o ritmo da organização, estabelecer um padrão para a aprendizagem conjunta de toda a organização.

BEMFICA, Juliana do Couto; BORGES, Mônica Erichsen Nassif. Aprendizagem organizacional e informação. Ci. Inf., Brasília, v. 28, n. 3, 1999. Disponível em: . Acesso em: 16/07/2007.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. Elsevier Editora. 3ª edição. Rio de Janeiro. 2004.
CHOO. C. W. A Organização do Conhecimento: Como as Organizações Usam a Informação Para Criar Significado, Construir Conhecimento e Tomar Decisões. Editora Senac São Paulo. São Paulo. 2003.
SENGE, P. M. A Quinta Disciplina: Arte e prática da organização que aprende. Editora Best Seller. 2006

domingo, 7 de março de 2010

CONSULTOR EM INTELIGÊNCIA

1. Sou um consultor civil, autônomo, em inteligência de estado, de segurança pública e privada. Ou seja, minhas atuais atividades técnico-profissionais são completamente desvinculadas da instituição pública a que pertenci no passado, ainda que a atividade de inteligência seja de utilização comum, tanto na esfera pública quanto privada. É preciso compreender que a atividade de inteligência tem várias vertentes, uma delas, a empresarial, organizacional ou competitiva, possuindo inclusive várias associação de profissionais da área, com registro público (em nível nacional e internacional) e aberta a associados de toda e qualquer origem técnico-profissional e instituição de origem.

2. Os métodos e produtos da atividade de inteligência, respeitados os limites da legislação, são utilizados em proveito de clientes públicos e privados, tal qual na atividade advocatícia que estou autorizado a exercer de acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF Inscrição Número: 29838. Ou seja, não há desdouro, da parte do profissional autônomo de inteligência, em ser consultado e contratado por operadores políticos (tal qual os da área de "marketing político"), da mesma forma que não há em colocar seus serviços à disposição de empresas privadas e que competem no mercado de bens e serviços visando atingir uma posição de vantagem na oferta de seus produtos e "sobreviver" em um regime de livre competição regido e tutelado pelas normas vigentes no Estado Democrático de Direito.

3. Por definição, os operadores da atividade de inteligência são assessores da instância máxima da instituição ou organização e que pertencem, em não sendo autônomos. No caso das instiuições policiais brasileiras, a instância máxima é o chefe do Poder Executivo da unidade federativa considerada ou da união. Um Chefe de Polícia ocupa um cargo comissionado de indicação do Chefe do Poder Executivo correspondente, o que pressupõe lealdade funcional, condição talvez conflitante com certas operações de inteligência policial, bem como com a confiabilidade de seus produtos em determinadas circunstâncias específicas. Mas assim é que acontece, seja em nível local ou federal.

4. Sou um egresso da vida pública em instituição pertencente ao Poder Executivo do Distrito federal, que buscou preparar-se para uma segunda carreira, tal qual fazem, de igual maneira, os técnicos, como eu, egressos do Poder Executivo e Judiciário dos entes federativos e do poder central. Tenho titulação acadêmica de Mestre em Ciência em Tecnologia da Informação e Gestão do Conhecimento, sou autor de obras publicadas e em preparação versando sobre a atividade de inteligência, bem como assino inúmeros trabalhos disponíveis, tanto em públicações disponíveis comercialmente quanto de acesso público e universal na rede mundial de computadores.

5. O livre ofício privado de atividade originalmente aprendida e/ou iniciada na vida pública é um direito de profissionais liberais, após deixar o serviço público, sejam eles de qualquer origem técnico-profissional e/ou institucional. É preciso, portanto, enfatizar, neste momento, que não consta em lei nenhuma vedação de que o exercício da atividade de assessoria/consultoria em inteligência, seja ela pública ou privada, deva ser diferente, em seu livre exercício, inclusive em relação aos profissionais que exercem tal atividade sendo oriundos da área da gestão da segurança pública.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A MEMÓRIA DE UMA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

A memória é um conjunto de ações na organização para capacitá-la a preservar, recuperar e utilizar sua experiência (informação sobre sucessos e falhas passadas) e, assim, aprender por meio de sua própria história. As informações e o conhecimento novo adquirido pela organização devem estar disponíveis para serem utilizados em decisões futuras. Geralmente a forma como que as pessoas e setores desenvolvem suas atividades não é sistemática. Algumas vezes elas trabalham sincronizadas, porém, na maioria das vezes elas têm um foco e visão dos problemas bem diferentes, sem saber que o conhecimento e a solução existem na organização.
Euzenat (1996) explica que memória organizacional é um repositório do conhecimento e experiências do conjunto dos indivíduos que trabalham em uma organização, tendo por finalidade preservar o conhecimento, a fim de permitir a socialização, uso, reuso, inovação e transformação do mesmo. Pode ser comparada a uma rede virtual sobre o ser humano e à experiência dos mesmos (tácita ou representada explicitamente) disponíveis em uma organização.
A aquisição de conhecimentos na organização deve ser feita através da aquisição e circulação de informações numa rede de comunicação (STEIN, 1995). O autor afirma que nas mensagens pela rede de comunicação, a informação pode ser mantida por longos períodos, mesmo com pessoas entrando e saindo. O conhecimento compartilhado e os valores emergem destes contínuos processos de comunicação, contribuindo para o desenvolvimento de mapas cognitivos compartilhados.
Não existe ainda uma definição completa de memória organizacional. O senso mais geral para definir a memória organizacional está dirigido em como poder usar de novo uma experiência acumulada pela organização, também relevante àqueles esforços da organização, em considerar um repositório de informações que proporcione conhecimento como uma mistura fluida de experiência moldada, valores, informação de contexto, e uma estrutura para incorporar experiências novas pelo fluxo de informações (ATWOOD, 2002). Nas organizações a memória está embutida freqüentemente não só em documentos ou repositórios, mas também nas rotinas, processos, práticas, e normas. É a memória presente na cultura da organização.
A cultura se refere ao padrão de desenvolvimento refletido no sistema de conhecimento, ideologia, valores e regras. Ela é de considerável relevância para a compreensão das organizações e auxilia na formação de aspectos de funcionamento corporativo, estratégia, estrutura e a liderança da administração. Uma vez que entendemos a influência da cultura nos comportamentos, percebemos que a mudança organizacional é uma mudança cultural e que todos os aspectos da transformação corporativa podem ser abordados com essa perspectiva (MORGAN, 2006).
A memória da organização poderá permitir e suportar uma mudança gradual na maneira de as pessoas realizarem o trabalho, por meio das experiências precedentes e competências dos recursos humanos da organização. Assim, é um meio através do qual o conhecimento do passado é trazido às atividades atuais. Este processo facilita a identificação e a análise dos recursos organizacionais disponíveis e requeridos, contribuindo para a sua preservação e distribuição subseqüentes, favorecendo a construção de um repositório de conhecimento de acordo com a cultura, do contexto, dos objetivos pretendidos e das necessidades da organização (STEIN, ZWASS, 1995).

Carvalho (2003) exibe as quatro etapas do processo de criação do conhecimento, figura 2, para a construção da memória organizacional que surge pelo processo de armazenamento das informações.
No processo de captura e criação (Etapa 1) a organização vai explorar as fontes e produzir conhecimentos pela conversão dinâmica e externalização de seu conhecimento tácito. Ambos os conhecimentos, explícito e tácito, podem ser capturados e articulados de maneira colaborativa e participativa, no âmbito da organização. Durante o processo de criação do conhecimento, há interação entre conhecimentos existentes. Este efeito é particularmente observável se o processo de descoberta de conhecimento é aberto, colaborativo e participativo.
No processo de armazenagem (Etapa 2) serão selecionadas as metodologias e técnicas para codificação e armazenamento do conhecimento, visando ao uso de soluções reutilizáveis. Nesta fase pessoas e setores constituídos na etapa 1 deverão identificar e criar conceitos para representar o conhecimento em um sistema computadorizado. Para tanto, se faz mister escolher técnicas para codificação e representação do conhecimento, escolher ontologias apropriadas ao contexto, e definir, tecnicamente, qual o tipo de estrutura computacional suportará uma memória organizacional a ser construída.
Durante a distribuição e aplicação do conhecimento (Etapa 3) poderá se ter acesso a uma memória organizacional que servirá como um mecanismo de apoio para a implementação de soluções organizacionais e melhoria de práticas de trabalho, bem como possibilitará uma melhor definição dos objetivos estratégicos e táticos. Nesta etapa, é compartilhado conhecimento dentro de uma organização pessoas por grupos funcionais diferentes, que podem estar localizados, muitas vezes, em áreas diferentes da organização.
Na transformação e inovação (Etapa 4) cada aplicação dos conteúdos do repositório de conhecimento vai gerar informações e lições. Com base na experiência dos usuários do repositório, poder-se-á aprimorar o conhecimento organizacional, permitindo melhoria do processo de modelagem, bem como novas práticas de trabalho.
A maioria das organizações policiais não são funcionalmente integradas, são fortemente hierarquizadas e estruturadas como se fossem máquinas, isto é, organizações burocráticas. Os diferentes componentes de um sistema policial, em geral, são capazes de realizar suas tarefas e executar as atribuições específicas de forma separada, e frequentemente isto acontece devido às atribuições rigidamente definidas em normas. Embora possa haver aparente integração de esforços operacionais, algumas instituições trabalham de forma independente, compartimentando informações. Isto traz como conseqüência a formação de repositórios isolados, que no aspecto da gestão da informação, constitui grave obstáculo ao sistema como um todo.
A essência da teoria clássica da administração e de sua moderna atuação sugere que organizações devem ser sistemas racionais, tendo por objeto uma forma nos seus procedimentos para funcionar da maneira mais eficiente possível (MORGAN, 2006).
A eficiência de uma organização policial depende dos procedimentos de armazenamento e processamento de informações totais. Diante do volume de dados disponíveis e a complexidade das ações, dirigentes (Autoridades Policiais) tomam decisões processando informações com referência às necessidades e casos novos que surgem. As decisões estratégicas, o desenvolvimento de políticas e os planos, por sua vez, fornecem novos rumos para o processamento de mais informações e o desenvolvimento do processo precisa ficar mais eficaz em direção à propagação e distribuição do conhecimento.

ATWOOD, Michael E. Organizational Memory Systems: Challenges For Information Technology. Drexel University College of Information Science and Technology Philadelphia, PA. 2002. Disponível em: . Acesso em: 16/10/2006.
CARVALHO, F.S. Modelagem Organizacional e Gestão do Conhecimento: O Caso da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pernambuco. Recife. 2003. Disponível em: www.di.ufpe.br/~ler/trabalhos/tra_dissertacoes/FranciscoCarvalho_dissertacao.pdf. Acesso em: 16/10/2006.
EUZENAT, J. Corporate Memory Through Cooperative Creation of Knowledge Bases and Hyper-documents. Franca. 1996. Disponível em: http://ksi.cpsc.ucalgary.ca/KAW/KAW96/euzenat/euzenat96b.html. Acesso em: 13/08/2006.
MORGAN, G. Imagens da Organização. Editora Atlas. São Paulo. 2006.
STEIN, Eric W. Organizational memory: review of concepts and recommendations for management. International Journal of information Management, vol. 15, nº 2, pp. 17-32, 1995.
STEIN, E. and ZWASS, V. Actualizing organizational memory with information systems. Information Systems Research 6 (2), 1995.

CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado

Consultor em Segurança, Análise de Riscos, Inteligência e Contra-inteligência.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal Aposentado.

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Advanced Course Inteligence - IMI, Israel. 2002
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do
Distrito Federal.
Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento de
Operações de Inteligência. ABIN. 2000.
Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.