sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

GESTÃO COLETIVA DO CONHECIMENTO

BADARACCO (1991) descreve que o aumento no volume global de conhecimento levou à especialização dentro de disciplinas científicas. Há um século, um pesquisador consumado podia adquirir uma compreensão geral do estado da pesquisa em quase todas as áreas da ciência; hoje, mesmo dentro dos limites de certo assunto, pessoas de especialidades diferentes podem ter dificuldades de se entenderem. As primeiras duas edições da Enciclopédia Britânica foram produzidas por apenas dois cientistas; atualmente, são necessários dezenas de milhares de especialistas para trabalhar em cada nova edição.
Com a evolução tecnológica mundial o conhecimento e a informação, ativos intangíveis, estão alcance dos jovens, estudantes, docentes, acessíveis pelas organizações, cientistas e também pelos criminosos. Reflexo da teoria de que o mundo é plano, não existem mais barreiras para acesso a informação, e, a capacidade de obtenção aumenta cada vez mais numa velocidade exponencial. Isto sugere que as mentes ilícitas modifiquem suas ações e possuam a mesmo aumento de capacidade.
Existe uma relação ação simultânea entre a gestão do conhecimento e a tecnologia; esta relação leva a retornos crescentes e sofisticação crescente em ambas as frentes. À medida que a tecnologia da informação se torna nossa ferramenta pessoal e nossa conexão com os outros, aumenta nossa cobiça em acessar ainda mais informação e conhecimento de outras pessoas, e então demandamos ferramentas de tecnologia de conectividade ainda melhores e mais eficientes, que se tornam parte da forma como trabalhamos na interatividade.
Este é um fenômeno que vem acarretando mudanças no comportamento, no modo de viver das pessoas, no modo de atuação das empresas perante a concorrência, na ação de criminosos, provoca alterações perturbadoras na relação social. É um processo que não tem volta, e no contexto da segurança pública, revela um cenário de necessidade de adaptação do sistema e dos processos investigativos para num modelo mais contemporâneo, com inserção de processamento e interpretação do volume das informações, análise de inteligência, e conseqüentemente a especialização de profissionais preparando-os para atuar no ambiente social complexo, hoje predominantemente virtual.
PROSBST, RAUB e KAI (2002) dizem que as habilidades dos indivíduos são vitais para a base do conhecimento da organização. A capacidade de transformar dados em conhecimento e de utilizá-lo em proveito da empresa torna o funcionário em agente primário do conhecimento da empresa. Entretanto, a perícia técnica dos indivíduos não é o único tipo. Muitos dos processos que são básicos para uma organização bem sucedida dependem mais dos elementos coletivos do conhecimento. Se pessoas de uma organização tiverem êxito em trabalhar produtivamente em conjunto, então a empresa adquire uma competência organizacional que forma um elemento coletivo em sua base de conhecimento.
NONAKA & TAKEUCHI (1997) conhecimento está essencialmente relacionado à ação humana. A Informação pode ser vista de duas perspectivas: A informação sintática (ou o volume de Informações) e a informação semântica (ou o significado). Uma informação sintática encontra-se na análise, na qual o fluxo de informações é medido sem levar em consideração o significado inerente. O aspecto semântico da informação é mais importante para a criação do conhecimento, pois concentra-se no significado transmitido.
Para os autores se limitar o escopo da consideração apenas para o aspecto sintático, não se pode captar a verdadeira importância da informação no processo de criação do conhecimento. Qualquer preocupação com a definição formal da informação levará a uma ênfase desproporcional no papel do processamento da informação, que é insensível à criação de novos conhecimentos a partir do mar caótico e equívoco de informações.

BADARACCO, J.L. How Firms Compete Through Strategic Alliance, Boston, MA: Havard Business School Pres. 1991.

NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de Conhecimento na Empresa. “Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional”. Editora Campus. 1997.

PROBST, Gilbert; RAUB, Steffen; ROMHARDT, Kai. Gestão do Conhecimento: Os elementos construtivos do Sucesso - Editora Bookman, 2002.




CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado OAB/DF

Consultor em Segurança, Inteligência e Contrainteligência Empresarial.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal (Aposentado).

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Advanced Course Inteligence - IMI, Israel. 2002
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do Distrito Federal.
Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento. ABIN. 2000.
Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.