quarta-feira, 25 de novembro de 2009

AS FASES DE PENSAMENTO NA ANALISE DE INFORMAÇÕES

Sendo um processo de produção de informação a atividade de análise de inteligência policial ou criminal é também uma atividade mental que envolve percepções sobre o ambiente e uma verdadeira acumulação e incubação de experiências profissionais intimamente ligadas aos valores e cultura das pessoas numa sociedade.
De acordo com Choo (2003) o conhecimento reside na mente dos indivíduos, e esse conhecimento pessoal precisa ser convertido em conhecimento que possa ser partilhado e transformado. Quando existe conhecimento suficiente, a organização está preparada para a ação e escolhe seu curso racionalmente, de acordo com os objetivos. A ação organizacional muda o ambiente e produz novas correntes de experiência, às quais a organização terá de se adaptar, gerando assim um novo ciclo.
A relação entre à formação da experiência e ação do analista com a mudança das estratégias da organização pode ser compreendida por meio das “fases do pensamento criador” de Platt (1974) quando define e explora detalhadamente a atividade mental do analista perante a atividade de produção de informações estratégicas. O autor descreve quatro estágios na mente do analista quando está ativa em direção a produção de informações. São elas: a acumulação, incubação, inspiração e verificação.
A acumulação que inclui a fase de coleta que afeta de algum modo à volumosa massa de idéias, conceitos e valores, armazenados na mente do analista, resultado da educação, cultura e experiência. Estes fatores, conscientes ou inconscientes tem grande influencia nas premissas estabelecidas para a análise de informações. A acumulação, portanto, inclui contribuições substanciais de toda a experiência e cultura do analista.
A incubação é estágio formal do pensamento criador. Neste estágio a mente diante das informações adquiridas sobre o problema específico, altera-se naturalmente pelo fundo geral. A maior parte desta atividade mental é inconsciente e constitui, na realidade, espécie de digestão mental e assimilação dos fatos disponíveis na mente. A idéias começam a brotar de modo lógico e com as conexões à mostra, não precisa esperar que esteja completa. O esforço mental na solução de um problema é uma série contínua de tentativas e erros. É um processo regular de experimentar e rejeitar de forma contínua, reconsiderando e buscando soluções adequadas para o problema de acorde com o aspecto probabilístico.
A inspiração é o momento de escolher uma tentativa de solução entre um grande número de soluções possíveis. A essa altura formula-se uma ou mais hipóteses para continuação do estudo, abandonando, permanentemente ou temporariamente, outros modos possíveis de abordá-lo, que pareçam menos possíveis. Neste momento, a mente, num instante de inspiração, focaliza um ou dois pontos cruciais e formula hipóteses que explicam seu papel no quadro geral. Em qualquer do problema, onde a mente está obrigada à seleção dos pontos críticos, a seleção é alcançada pelo exame de todas as possibilidades favoráveis, chegando-se metodicamente a uma decisão.
A verificação corresponde a determinação de conclusões. É o momento da definição das perspectivas mais corretas em relação a análise do problema. Surge a configuração do método mais adequado, as respostas lógicas que se transformam em conclusões; o quadro da situação global é visualizado com mais nitidez e a mente do analista encontra a configuração e representação técnica que deve ser inserida na análise. Nesta fase surge representação total do trabalho que torna possível o estudo do problema de forma específica e permite a consolidação final do conhecimento.

CHOO. C. W. A Organização do Conhecimento: Como as Organizações Usam a Informação Para Criar Significado, Construir Conhecimento e Tomar Decisões. Editora Senac São Paulo. São Paulo. 2003.
PLATT, Washington. A Produção de Informações Estratégicas. Biblioteca do Exército Editora. Rio de Janeiro. 1974.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O ANALISTA POLICIAL

De acordo com Peterson (2005) o trabalho policial moderno está em constante mudança de métodos. Criminosos têm acesso a tecnologia avançada e desenvolvem novas ações com apuro extremo e planejamento dos crimes. Para emparelhar o passo com a sofisticação dos crimes, o trabalho investigativo precisa avançar no aperfeiçoamento de técnicas e aprimoramento do quadro de especialidades, considerado neste aspecto, o papel fundamental de analistas que usam tecnologias de análise de informações para resolver situações complexas.
Prossegue o autor dizendo que nos últimos 35 anos, a função de analistas foi estendida para apoiar investigações direcionadas para homicídio, fraude, narcóticos, vício, lavagem de dinheiro e crimes ambientais como também apoiando muitas outras atividades policiais. A análise é ensinada agora não só a analistas, mas também para investigadores, Autoridades Policiais e Promotores de Justiça. Na realidade, mais investigadores são formados para a análise que os próprios analistas, simplesmente, porque há muitos mais investigadores. Esses que se elevam a classe de analistas dizem que as técnicas analíticas são recursos importantes para a validação de informações.
O papel do analista é apoiar o processo decisório tomados por dirigentes policiais por meio de técnicas e métodos de produção de informações. Embora o analista propriamente dito, raramente seja responsável pelas decisões, nenhuma parte das operações das polícias deve ser indiferente ao escrutínio do analista. A habilidade de recuperar, analisar, e disseminar eficazmente a informação indica que o analista age como um elemento fundamental em todo o processo decisório. É função do analista recomendar, advogar ações eficazes e definir estratégias baseadas em seu sentido de diagnóstico. O analista não dá ordens ao pessoal operacional, mas decisões tomadas sem levar em conta uma sustentação analítica possivelmente não serão as melhores decisões.
Os analistas não devem somente ser proficientes em técnicas estatísticas e na matemática, mas também especialistas em tecnologia. Este profissional deve ter conhecimento sobre a infra-estrutura de bancos de dados, seus processos de armazenamento, recuperação e reutilização de informações. Deve possuir a capacidade de lógica, concentração e raciocínio, bem como uma personalidade e credibilidade para apresentar sua análise a outros com menor compreensão.
No mundo moderno a facilidade de acesso à informação (intangibilidade) provoca alterações nas relações sociais. Mudanças ocorrem em velocidade exponencial, assim como nas relações ilícitas. O impacto dessas mudanças no crime obrigam as organizações policiais a implementarem infra-estruturas e adotarem métodos monitoração ambiental. Nesse contexto, é importante ressaltar que somente a experiência individual de um investigador, que busca explicar os fenômenos de forma empírica e responder todas as questões não tem trazido muita eficiência. Daí a necessidade das organizações desenvolverem estruturas tecnológicas e, pela atividade de Inteligência, potencializar a capacidade da organização em solucionar problemas e realizar diagnósticos de forma mais contextual.
O campo da análise do crime ficou fortalecido com a aplicação da Tecnologia da Informação e os demais recursos eletrônicos capazes de capturar, armazenar e recuperar quantidade volumosa de dados que infinitamente são maiores que uma década atrás. Atualmente existem métodos e técnicas para permitir a visualização de delitos em gráficos e diagramas que facilitam a compreensão da complexidade de relações ilícitas.
Por causa de limites na capacidade mental humana, a mente não pode lidar diretamente com a complexidade do mundo. Ao invés disso, nós construímos um modelo mental simplificado de realidade e, então, trabalhamos com este modelo. Comportamo-nos racionalmente dentro dos confins de nosso modelo, porém, ele nem sempre se adapta bem às necessidade do mundo real. Carlos Tholt. Decida com Inteligência. Editora Thesaurus.2006.
A análise de informações constitui uma atividade altamente indispensável na área de Inteligência Policial e cada vez mais as situações complexas, exigem produção analítica durante a investigação. Uma informação isolada pouco significa se não estiver relacionada com outras ou posta em destaque para buscar seu significado verdadeiro. O significado, portanto, é o resultado mais importante que existe numa análise.
Na área das previsões, um bom trabalho de análise, com ferramentas especializadas, pode gerar uma previsão de ataques futuros e perfis geográficos. A previsão de ataque futuro busca indicar a posição provável seguinte de um ataque em uma série de crimes. O perfil geográfico busca determinar os prováveis pontos de apoio para as quais um delinqüente se dirigiu a partir das posições que escolheu atuar. Ambas as técnicas têm agora ferramentas e sistemas que podem ser usados para ajudar o analista na execução destas funções.
A análise criminal é uma atividade de auxílio na previsão. A teoria da previsão tem como base um conjunto de premissas que feitas corretamente, permitirão uma previsão mais acertada. Na análise criminal se as premissas forem falsas, o trabalho sairá incorreto, pouco importando quanto exatos sejam os dados e os fatos que considerados. Outra consideração que merece destaque é que o crime pode ser caracterizado como dinâmico e complexo, surgindo de forma instável na sociedade. Porém, visto no que diz respeito à evolução temporal e espacial gera parâmetros significativos e apresenta resultados determinados.
Peterson, Marilyn B. An Analytic Approach to Investigations. Department of Law and Public Safety, Trenton, New Jersey. 2005. Disponível em: http://www.policechiefmagazine.org/magazine/index.cfm?fuseaction=display&article_id=766&issue_id=122005. Acesso em: 07/04/2007.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A LIDERANÇA NA ORGANIZAÇÃO POLICIAL MODERNA

Os líderes de uma organização policial devem estabelecer estratégias, através das quais, as metas se transformam em resultados e todos seguem com sintonia. Devem definir os valores da organização, sua cultura e seu sistema de recompensas. O dirigente policial precisa conhecer não só sua função, mas a organização como um todo, ou seja, sua finalidade, ambiente e as competências individuais, ressaltando as especialidades e despojado de ambições pessoais. Como se observa, a liderança numa organização policial se apresenta distante da gerência, colocando-se mais como uma questão de amplitude de atuação.
Liderança tornou-se uma palavra corrente na linguagem da administração. Os líderes são importantes porque respondem pela eficácia das organizações. O sucesso ou o fracasso de qualquer organização, em grande parte, depende da visão que os liderados têm de seus líderes.
Para Chiavenatto (1999, p.554-560), os líderes devem estar presentes nos níveis institucional, intermediário e operacional das organizações, as quais precisam deles em todas as áreas de atuação. O autor define ainda, a liderança como uma “influência interpessoal exercida em uma dada situação e dirigida através do processo de comunicação humana para a consecução de um ou mais objetivos específicos”.
Segundo Drucker (1996), no prefácio do livro "O Líder do Futuro", líderes natos podem existir, mas, com certeza, poucos dependerão deles. A liderança deve e pode ser aprendida. Esta constatação motivou uma série de estudos por parte de professores e consultores. Para o autor, o que define o líder é o atendimento a quatro condições básicas de liderança, apresentadas pelos líderes por ele estudado:
1. A única definição de líder é alguém que possui seguidores. Algumas pessoas são pensadoras, outras profetas. Os dois papéis são importantes e muito necessários, mas, sem seguidores, não podem existir líderes;
2. Um líder eficaz não é alguém amado e admirado. É alguém cujos seguidores fazem as coisas certas. Popularidade não é liderança, resultados, sim;
3. Os líderes são bastante visíveis, portanto, servem de exemplo;
4. Liderança não quer dizer posição, privilégios, títulos ou dinheiro. Significa responsabilidade. (Drucker, 1996, p. 13)

O autor afirma, ainda, que liderança está em evidência nos meios acadêmicos e organizacionais, e não é, em si, boa ou desejável, mas sim, um meio. Tem pouco a ver com qualidade de liderança ou com carisma. Sua essência é o desempenho.
Desta forma, a base da liderança eficaz é compreender a missão da organização, defini-la e estabelecê-la de forma clara e visível. O líder fixa metas e prioridades, bem como fixa e mantém os padrões. Os líderes eficazes raramente são permissivos, têm responsabilidade. Outro requisito vital para a liderança eficaz é obter confiança.
De outro modo, não haverá seguidores. Para se confiar num líder não é necessário gostar dele. Nem concordar com ele. Confiança é a convicção de que o líder fala sério. É a crença em sua integridade. As ações de um líder e suas crenças professadas devem ser congruentes, ou ao menos compatíveis. A liderança eficaz não se baseia em ser inteligente; ela se baseia principalmente em ser consistente (Drucker, 1996, p.75).
Completando o pensamento de Drucker, Goldsmith (1996, p. 229), declarou acreditar que: "O líder do passado era uma pessoa que sabia como dizer. O líder do futuro será uma pessoa que saberá como perguntar". O líder precisará envolver, efetivamente, os liderados e obter participação, pois as tarefas serão muito mais complexas e as informações distribuídas de forma muito ampla para que o líder detenha todas as soluções.
Para Scholtes (1998, p.423), “O líder da próxima década e, provavelmente, do próximo século e milênio, deve compreender sistemas e deixar que a consciência de sistemas o informe sobre todos os planos e decisões”. Ou seja, liderar sistemas envolve liderar propósito, tecnologia, relacionamentos, equipes de trabalho, interações e um sistema de liderança.
Covey (1996, p. 159) entende que o líder do futuro será alguém capaz de desenvolver uma cultura ou um sistema de valor baseado em princípios. Além de ser um grande desafio, somente será alcançada por líderes com visão, coragem e humildade para aprender e crescer continuamente. Aprendizado que acontece ouvindo, observando tendências, percebendo e antecipando necessidades do mercado, avaliando sucessos e erros do passado, e observando as lições que a consciência e os princípios ensinam.

CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2.ed. Rio de Janeiro: Campus,1999.
COVEY, Stephen R. Três funções do líder no novo paradigma. In: HESSELBEIN, F.; GOLDSMITH, M.; BECKHARD, R. O líder do futuro. São Paulo: Futura, 1996.
DRUCKER, Peter F. Administrando para o futuro: os anos 90 e a virada do século. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1996.
DRUCKER, Peter F. Introdução: rumo a nova organização. In: HESSELBEIN, F., GOLDSMITH, M., BECKHARD, R. A organização do futuro. São Paulo: Futura, 1997.
SCHOLTES, Peter R. O Manual do Líder: um guia para inspirar sua equipe e gerenciar o fluxo de trabalho no dia a dia. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 1998.
CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado OAB/DF

Consultor em Segurança, Inteligência e Contrainteligência Empresarial.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal (Aposentado).

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Advanced Course Inteligence - IMI, Israel. 2002
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do Distrito Federal.
Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento. ABIN. 2000.
Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.