quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A GESTÃO POLICIAL - Tecnologia da Informação

WEILL e ROSS (2006) explicam que implementações de Tecnologia da Informação (TI) envolvem investimentos imediatos e continuados, em busca de resultados que ninguém pode prever com certeza. Essas incertezas e complexidade fazem muitos administradores renunciarem à responsabilidade por garantir que seu pessoal utilize com eficiência a Tecnologia da Informação.
Prosseguem dizendo que, por muitos anos, certas organizações conseguiram prosperar a despeito de suas práticas deficientes na administração de Tecnologia da Informação. Mas a informação e conseqüentemente a TI são elementos cada vez estratégicos nos produtos e serviços organizacionais e a base cultural dos processos numa instituição. O elo íntimo entre TI e processos organizacionais implica que a unidade de TI não pode ser a única nem a principal área responsável pelo uso efetivo da informação e da Tecnologia da Informação. Extrair maior valor da TI é uma competência organizacional de importância crescente. Todos os líderes de uma instituição precisam compreender isso e desenvolver essa competência.
Não poderia ser diferente na Segurança Pública. A gestão, integração e a difusão de informação ou conhecimento talvez sejam os aspectos mais importantes a serem discutidos. Infelizmente poucas ações nesta área se desenvolvem. Ainda que organizações não tenham efetivamente definido estratégias para uma melhor integração dos repositórios e sistemas dispersos nos segmentos da Segurança Pública (preservando os silos informacionais), dando ainda maior importância para uma integração operacional, evidentemente isto se revela um imenso problema a ser resolvido. Muito deve ser provido para a implementação de sistemas informacionais nos órgãos policiais, além de processos e soluções de interoperabilidade que geralmente provocam rupturas de ordem conceitual.
Sistemas para a gestão da informação são importantes. Administrar, compartilhar e distribuir o conhecimento é um aspecto estratégico para organizações policiais modernas. Diante do quadro da complexidade do ambiente social (criminalidade), os administradores (Delegados e Oficiais) precisam reconhecer o valor do conhecimento e do uso pertinente. Muitos ainda precisam compreender que ter o conhecimento e não fazer uso, não traz nenhum benefício para a organização. O conhecimento não está apenas nos documentos, nas bases de dados e nos sistemas, mas também nos processos, nas práticas dos grupos e nas experiências individuais adquiridas por policiais.
NONAKA & TAKEUCHI (1997) explicam que conhecimento está essencialmente relacionado à ação humana. O conhecimento é criado por indivíduos e é um processo organizacional de criação, conforme a dimensão ampla e fundamental. Numa dimensão epistemológica, há uma distinção entre conhecimento tácito e conhecimento explícito. O conhecimento tácito é pessoal, inerente ao contexto e as experiências individuais, incluído os elementos cognitivos, chamados de modelos mentais, incluindo know-how, técnicas e habilidades. O conhecimento explícito lida com acontecimentos passados ou objetos, descritos em manuais, registros, bancos de dados, criados seqüencialmente pela atividade digital.
Instituições policiais que possuem estratégias de avanço contínuo devem proporcionar um ambiente onde haja criação contínua de conhecimentos, inovação e modificação de comportamentos (cultura). O processo de conversão e distribuição da informação na atividade policial proporciona uma condição de acessibilidade e aprendizagem coletiva. Neste contexto áreas de tecnologia devem assegurar que sistemas e programas apropriados sejam colocados de forma a maximizar a sua utilização, que contenham interfaces interativas, com informações dinâmicas e sua propagação em tempo real.
A informação é a matéria-prima mais importante da atividade policial. Isso costumava ser verdadeiro para um número reduzido de pessoas. Hoje é assimilado pela maioria delas e consiste na necessidade de todos, em obtê-la e interpretá-la, e partir dela, gerar conhecimento, desenvolver planejamento, compreender o fenômeno criminal, e proporcionar aprendizagem constante na organização.
STEWART (1998) descreve que a tecnologia, informação e o conhecimento são as armas termonucleares competitivas de nossa era. O conhecimento é mais valioso do que os recursos naturais, grandes indústrias ou polpudas contas bancárias. Mais valioso que os ativos físicos ou financeiros da organização é o capital intelectual.
Define o autor que o capital intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma empresa. O capital intelectual é intangível e constitui uma matéria intelectual (conhecimento, informação, propriedade intelectual, experiência) que pode ser utilizada para gerar potência para a organização. É a capacidade mental coletiva que deve ser distribuída (inteligência distribuída).
As tecnologias úteis para a gestão do conhecimento na segurança pública são aquelas que proporcionam a integração das Instituições e dos profissionais, que facilitam a eliminação de fronteiras e antagonismos entre unidades de um mesmo sistema orgânico.
Em breve os segmentos de segurança pública deverão desenvolver empreendimentos focados na incorporação processos continuados de gestão administrativa, conhecimento e tecnologia da informação de forma integrada. São projetos para o desempenho glogal das instituições, como um ecosistema composto de tecnologias: KMAI (Knowledge Management with Artificial Intelligence) de gestão do conhecimento com uso da Inteligência Artificial (IA) que contém recursos e ferramentas de busca e monitoramento de argumentos estruturados e não estruturados; mineração de dados (DataMining) de forma dinâmica e em tempo real; padronização de processos, integração de dados e compartilhamento de informações (DataWarehouse), mineração de textos (TextMining) para busca e coleta de argumentos em fontes abertas; e processamento analítico de informações (OLAP) com análise gráfica interativa, multidimensional e estatística, contemplando inovações de representação de conhecimentos em diagramas ou medidores digitais.
Um sistema com tecnologia KMAI realiza a busca e coleta de informações em diversas fontes, incluindo fontes abertas, consolidando-as e auxiliando toda a atividade policial transformando-se num poderoso instrumento gestão policial como se fosse um cérebro da organização policial. Seus usuários são os tomadores de decisão (nível tático e estratégico).
Esta metáfora pode ser percebida em projeto pioneiro apresentado à Segurança Pública do Distrito Federal, chamado Mi2 (management of the information nível 2) e que prevê o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica em rede multidimensional para a distribuição da informação consolidada para tomadores de decisão gerando conhecimento novo na organização em tempo real por meio de painéis gráficos dinâmicos.
A característica fundamental do MI2 está no processo de transformação das informações em conhecimento, por meio de monitoração ambiental, devido à interligação de inúmeros sensores que capturam uma multiplicidade de informações ao mesmo tempo. O Mi2 possui abrangência em razão do uso tecnologias de ponta e desenvolvimento de aplicativos sofisticados; contém rotinas de controle de acessos e auditoria; integração com sistemas coorporativos internos e externos e qualquer tipo de banco de dados; acompanhamento on-line de fatos e situações que ocorrem no ambiente; automação de processos (eliminação de processos de entrada de dados redundantes e aumento da qualidade dos dados introduzidos com redução dos custos e melhoria da capacidade de resposta interna ou externa da organização); é personalizavel e escalonável; contempla evolução e transferência total de tecnologia e códigos-fonte; é um sistema com característica multidimensional podendo ser distribuído e ampliando para outras necessidades de gestão.
O principal objetivo do Mi2 é possibilitar a gestão da organização policial com o alinhamento da estratégia com todas as atividades operacionais, alcançado pelas seguintes ações: a) visão gráfica em painel em tempo real dos acontecimentos no ambiente interno e externo; b) comunicação interativa para mensagens, despachos, ordens e traçar objetivos e medidas operacionais; c) estabelecer metas, acompanhar os resultados e medir produtividade; d) gerar relatórios visuais customizáveis; e) implementar um sistema de conversão de conhecimento por meio de feedback interno; f) promover Inteligência Organizacional com a implementação de processos de aprendizagem, memória, comunicação, cognição e raciocinio.

NONAKA, Ikujiro & TAKEUCHI, Hirotaka, Criação de Conhecimento na Empresa: Como as Empresas Japonesas Geram a Dinâmica da Inovação, Editora Campus, p.64, 1997. p. 64.

STEWART, Thomas, A. Capital Intelectual: A Nova Vantagem Competitiva das Empresas. Prefácio. Elsevier Editora Ltda. Rio de Janeiro. 1998.

WEILL, P. e ROSS, J.W. Governança de Tecnologia da Informação. Editora M.Books do Brasil Ltda. Original em Havard Business School Publishing. São Paulo. 2006.

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CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado OAB/DF

Consultor em Segurança, Inteligência e Contrainteligência Empresarial.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal (Aposentado).

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Advanced Course Inteligence - IMI, Israel. 2002
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do Distrito Federal.
Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento. ABIN. 2000.
Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.