sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

GESTÃO COLETIVA DO CONHECIMENTO

BADARACCO (1991) descreve que o aumento no volume global de conhecimento levou à especialização dentro de disciplinas científicas. Há um século, um pesquisador consumado podia adquirir uma compreensão geral do estado da pesquisa em quase todas as áreas da ciência; hoje, mesmo dentro dos limites de certo assunto, pessoas de especialidades diferentes podem ter dificuldades de se entenderem. As primeiras duas edições da Enciclopédia Britânica foram produzidas por apenas dois cientistas; atualmente, são necessários dezenas de milhares de especialistas para trabalhar em cada nova edição.
Com a evolução tecnológica mundial o conhecimento e a informação, ativos intangíveis, estão alcance dos jovens, estudantes, docentes, acessíveis pelas organizações, cientistas e também pelos criminosos. Reflexo da teoria de que o mundo é plano, não existem mais barreiras para acesso a informação, e, a capacidade de obtenção aumenta cada vez mais numa velocidade exponencial. Isto sugere que as mentes ilícitas modifiquem suas ações e possuam a mesmo aumento de capacidade.
Existe uma relação ação simultânea entre a gestão do conhecimento e a tecnologia; esta relação leva a retornos crescentes e sofisticação crescente em ambas as frentes. À medida que a tecnologia da informação se torna nossa ferramenta pessoal e nossa conexão com os outros, aumenta nossa cobiça em acessar ainda mais informação e conhecimento de outras pessoas, e então demandamos ferramentas de tecnologia de conectividade ainda melhores e mais eficientes, que se tornam parte da forma como trabalhamos na interatividade.
Este é um fenômeno que vem acarretando mudanças no comportamento, no modo de viver das pessoas, no modo de atuação das empresas perante a concorrência, na ação de criminosos, provoca alterações perturbadoras na relação social. É um processo que não tem volta, e no contexto da segurança pública, revela um cenário de necessidade de adaptação do sistema e dos processos investigativos para num modelo mais contemporâneo, com inserção de processamento e interpretação do volume das informações, análise de inteligência, e conseqüentemente a especialização de profissionais preparando-os para atuar no ambiente social complexo, hoje predominantemente virtual.
PROSBST, RAUB e KAI (2002) dizem que as habilidades dos indivíduos são vitais para a base do conhecimento da organização. A capacidade de transformar dados em conhecimento e de utilizá-lo em proveito da empresa torna o funcionário em agente primário do conhecimento da empresa. Entretanto, a perícia técnica dos indivíduos não é o único tipo. Muitos dos processos que são básicos para uma organização bem sucedida dependem mais dos elementos coletivos do conhecimento. Se pessoas de uma organização tiverem êxito em trabalhar produtivamente em conjunto, então a empresa adquire uma competência organizacional que forma um elemento coletivo em sua base de conhecimento.
NONAKA & TAKEUCHI (1997) conhecimento está essencialmente relacionado à ação humana. A Informação pode ser vista de duas perspectivas: A informação sintática (ou o volume de Informações) e a informação semântica (ou o significado). Uma informação sintática encontra-se na análise, na qual o fluxo de informações é medido sem levar em consideração o significado inerente. O aspecto semântico da informação é mais importante para a criação do conhecimento, pois concentra-se no significado transmitido.
Para os autores se limitar o escopo da consideração apenas para o aspecto sintático, não se pode captar a verdadeira importância da informação no processo de criação do conhecimento. Qualquer preocupação com a definição formal da informação levará a uma ênfase desproporcional no papel do processamento da informação, que é insensível à criação de novos conhecimentos a partir do mar caótico e equívoco de informações.

BADARACCO, J.L. How Firms Compete Through Strategic Alliance, Boston, MA: Havard Business School Pres. 1991.

NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de Conhecimento na Empresa. “Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional”. Editora Campus. 1997.

PROBST, Gilbert; RAUB, Steffen; ROMHARDT, Kai. Gestão do Conhecimento: Os elementos construtivos do Sucesso - Editora Bookman, 2002.




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

AS FASES DE PENSAMENTO NA ANALISE DE INFORMAÇÕES

Sendo um processo de produção de informação a atividade de análise de inteligência policial ou criminal é também uma atividade mental que envolve percepções sobre o ambiente e uma verdadeira acumulação e incubação de experiências profissionais intimamente ligadas aos valores e cultura das pessoas numa sociedade.
De acordo com Choo (2003) o conhecimento reside na mente dos indivíduos, e esse conhecimento pessoal precisa ser convertido em conhecimento que possa ser partilhado e transformado. Quando existe conhecimento suficiente, a organização está preparada para a ação e escolhe seu curso racionalmente, de acordo com os objetivos. A ação organizacional muda o ambiente e produz novas correntes de experiência, às quais a organização terá de se adaptar, gerando assim um novo ciclo.
A relação entre à formação da experiência e ação do analista com a mudança das estratégias da organização pode ser compreendida por meio das “fases do pensamento criador” de Platt (1974) quando define e explora detalhadamente a atividade mental do analista perante a atividade de produção de informações estratégicas. O autor descreve quatro estágios na mente do analista quando está ativa em direção a produção de informações. São elas: a acumulação, incubação, inspiração e verificação.
A acumulação que inclui a fase de coleta que afeta de algum modo à volumosa massa de idéias, conceitos e valores, armazenados na mente do analista, resultado da educação, cultura e experiência. Estes fatores, conscientes ou inconscientes tem grande influencia nas premissas estabelecidas para a análise de informações. A acumulação, portanto, inclui contribuições substanciais de toda a experiência e cultura do analista.
A incubação é estágio formal do pensamento criador. Neste estágio a mente diante das informações adquiridas sobre o problema específico, altera-se naturalmente pelo fundo geral. A maior parte desta atividade mental é inconsciente e constitui, na realidade, espécie de digestão mental e assimilação dos fatos disponíveis na mente. A idéias começam a brotar de modo lógico e com as conexões à mostra, não precisa esperar que esteja completa. O esforço mental na solução de um problema é uma série contínua de tentativas e erros. É um processo regular de experimentar e rejeitar de forma contínua, reconsiderando e buscando soluções adequadas para o problema de acorde com o aspecto probabilístico.
A inspiração é o momento de escolher uma tentativa de solução entre um grande número de soluções possíveis. A essa altura formula-se uma ou mais hipóteses para continuação do estudo, abandonando, permanentemente ou temporariamente, outros modos possíveis de abordá-lo, que pareçam menos possíveis. Neste momento, a mente, num instante de inspiração, focaliza um ou dois pontos cruciais e formula hipóteses que explicam seu papel no quadro geral. Em qualquer do problema, onde a mente está obrigada à seleção dos pontos críticos, a seleção é alcançada pelo exame de todas as possibilidades favoráveis, chegando-se metodicamente a uma decisão.
A verificação corresponde a determinação de conclusões. É o momento da definição das perspectivas mais corretas em relação a análise do problema. Surge a configuração do método mais adequado, as respostas lógicas que se transformam em conclusões; o quadro da situação global é visualizado com mais nitidez e a mente do analista encontra a configuração e representação técnica que deve ser inserida na análise. Nesta fase surge representação total do trabalho que torna possível o estudo do problema de forma específica e permite a consolidação final do conhecimento.

CHOO. C. W. A Organização do Conhecimento: Como as Organizações Usam a Informação Para Criar Significado, Construir Conhecimento e Tomar Decisões. Editora Senac São Paulo. São Paulo. 2003.
PLATT, Washington. A Produção de Informações Estratégicas. Biblioteca do Exército Editora. Rio de Janeiro. 1974.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O ANALISTA POLICIAL

De acordo com Peterson (2005) o trabalho policial moderno está em constante mudança de métodos. Criminosos têm acesso a tecnologia avançada e desenvolvem novas ações com apuro extremo e planejamento dos crimes. Para emparelhar o passo com a sofisticação dos crimes, o trabalho investigativo precisa avançar no aperfeiçoamento de técnicas e aprimoramento do quadro de especialidades, considerado neste aspecto, o papel fundamental de analistas que usam tecnologias de análise de informações para resolver situações complexas.
Prossegue o autor dizendo que nos últimos 35 anos, a função de analistas foi estendida para apoiar investigações direcionadas para homicídio, fraude, narcóticos, vício, lavagem de dinheiro e crimes ambientais como também apoiando muitas outras atividades policiais. A análise é ensinada agora não só a analistas, mas também para investigadores, Autoridades Policiais e Promotores de Justiça. Na realidade, mais investigadores são formados para a análise que os próprios analistas, simplesmente, porque há muitos mais investigadores. Esses que se elevam a classe de analistas dizem que as técnicas analíticas são recursos importantes para a validação de informações.
O papel do analista é apoiar o processo decisório tomados por dirigentes policiais por meio de técnicas e métodos de produção de informações. Embora o analista propriamente dito, raramente seja responsável pelas decisões, nenhuma parte das operações das polícias deve ser indiferente ao escrutínio do analista. A habilidade de recuperar, analisar, e disseminar eficazmente a informação indica que o analista age como um elemento fundamental em todo o processo decisório. É função do analista recomendar, advogar ações eficazes e definir estratégias baseadas em seu sentido de diagnóstico. O analista não dá ordens ao pessoal operacional, mas decisões tomadas sem levar em conta uma sustentação analítica possivelmente não serão as melhores decisões.
Os analistas não devem somente ser proficientes em técnicas estatísticas e na matemática, mas também especialistas em tecnologia. Este profissional deve ter conhecimento sobre a infra-estrutura de bancos de dados, seus processos de armazenamento, recuperação e reutilização de informações. Deve possuir a capacidade de lógica, concentração e raciocínio, bem como uma personalidade e credibilidade para apresentar sua análise a outros com menor compreensão.
No mundo moderno a facilidade de acesso à informação (intangibilidade) provoca alterações nas relações sociais. Mudanças ocorrem em velocidade exponencial, assim como nas relações ilícitas. O impacto dessas mudanças no crime obrigam as organizações policiais a implementarem infra-estruturas e adotarem métodos monitoração ambiental. Nesse contexto, é importante ressaltar que somente a experiência individual de um investigador, que busca explicar os fenômenos de forma empírica e responder todas as questões não tem trazido muita eficiência. Daí a necessidade das organizações desenvolverem estruturas tecnológicas e, pela atividade de Inteligência, potencializar a capacidade da organização em solucionar problemas e realizar diagnósticos de forma mais contextual.
O campo da análise do crime ficou fortalecido com a aplicação da Tecnologia da Informação e os demais recursos eletrônicos capazes de capturar, armazenar e recuperar quantidade volumosa de dados que infinitamente são maiores que uma década atrás. Atualmente existem métodos e técnicas para permitir a visualização de delitos em gráficos e diagramas que facilitam a compreensão da complexidade de relações ilícitas.
Por causa de limites na capacidade mental humana, a mente não pode lidar diretamente com a complexidade do mundo. Ao invés disso, nós construímos um modelo mental simplificado de realidade e, então, trabalhamos com este modelo. Comportamo-nos racionalmente dentro dos confins de nosso modelo, porém, ele nem sempre se adapta bem às necessidade do mundo real. Carlos Tholt. Decida com Inteligência. Editora Thesaurus.2006.
A análise de informações constitui uma atividade altamente indispensável na área de Inteligência Policial e cada vez mais as situações complexas, exigem produção analítica durante a investigação. Uma informação isolada pouco significa se não estiver relacionada com outras ou posta em destaque para buscar seu significado verdadeiro. O significado, portanto, é o resultado mais importante que existe numa análise.
Na área das previsões, um bom trabalho de análise, com ferramentas especializadas, pode gerar uma previsão de ataques futuros e perfis geográficos. A previsão de ataque futuro busca indicar a posição provável seguinte de um ataque em uma série de crimes. O perfil geográfico busca determinar os prováveis pontos de apoio para as quais um delinqüente se dirigiu a partir das posições que escolheu atuar. Ambas as técnicas têm agora ferramentas e sistemas que podem ser usados para ajudar o analista na execução destas funções.
A análise criminal é uma atividade de auxílio na previsão. A teoria da previsão tem como base um conjunto de premissas que feitas corretamente, permitirão uma previsão mais acertada. Na análise criminal se as premissas forem falsas, o trabalho sairá incorreto, pouco importando quanto exatos sejam os dados e os fatos que considerados. Outra consideração que merece destaque é que o crime pode ser caracterizado como dinâmico e complexo, surgindo de forma instável na sociedade. Porém, visto no que diz respeito à evolução temporal e espacial gera parâmetros significativos e apresenta resultados determinados.
Peterson, Marilyn B. An Analytic Approach to Investigations. Department of Law and Public Safety, Trenton, New Jersey. 2005. Disponível em: http://www.policechiefmagazine.org/magazine/index.cfm?fuseaction=display&article_id=766&issue_id=122005. Acesso em: 07/04/2007.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A LIDERANÇA NA ORGANIZAÇÃO POLICIAL MODERNA

Os líderes de uma organização policial devem estabelecer estratégias, através das quais, as metas se transformam em resultados e todos seguem com sintonia. Devem definir os valores da organização, sua cultura e seu sistema de recompensas. O dirigente policial precisa conhecer não só sua função, mas a organização como um todo, ou seja, sua finalidade, ambiente e as competências individuais, ressaltando as especialidades e despojado de ambições pessoais. Como se observa, a liderança numa organização policial se apresenta distante da gerência, colocando-se mais como uma questão de amplitude de atuação.
Liderança tornou-se uma palavra corrente na linguagem da administração. Os líderes são importantes porque respondem pela eficácia das organizações. O sucesso ou o fracasso de qualquer organização, em grande parte, depende da visão que os liderados têm de seus líderes.
Para Chiavenatto (1999, p.554-560), os líderes devem estar presentes nos níveis institucional, intermediário e operacional das organizações, as quais precisam deles em todas as áreas de atuação. O autor define ainda, a liderança como uma “influência interpessoal exercida em uma dada situação e dirigida através do processo de comunicação humana para a consecução de um ou mais objetivos específicos”.
Segundo Drucker (1996), no prefácio do livro "O Líder do Futuro", líderes natos podem existir, mas, com certeza, poucos dependerão deles. A liderança deve e pode ser aprendida. Esta constatação motivou uma série de estudos por parte de professores e consultores. Para o autor, o que define o líder é o atendimento a quatro condições básicas de liderança, apresentadas pelos líderes por ele estudado:
1. A única definição de líder é alguém que possui seguidores. Algumas pessoas são pensadoras, outras profetas. Os dois papéis são importantes e muito necessários, mas, sem seguidores, não podem existir líderes;
2. Um líder eficaz não é alguém amado e admirado. É alguém cujos seguidores fazem as coisas certas. Popularidade não é liderança, resultados, sim;
3. Os líderes são bastante visíveis, portanto, servem de exemplo;
4. Liderança não quer dizer posição, privilégios, títulos ou dinheiro. Significa responsabilidade. (Drucker, 1996, p. 13)

O autor afirma, ainda, que liderança está em evidência nos meios acadêmicos e organizacionais, e não é, em si, boa ou desejável, mas sim, um meio. Tem pouco a ver com qualidade de liderança ou com carisma. Sua essência é o desempenho.
Desta forma, a base da liderança eficaz é compreender a missão da organização, defini-la e estabelecê-la de forma clara e visível. O líder fixa metas e prioridades, bem como fixa e mantém os padrões. Os líderes eficazes raramente são permissivos, têm responsabilidade. Outro requisito vital para a liderança eficaz é obter confiança.
De outro modo, não haverá seguidores. Para se confiar num líder não é necessário gostar dele. Nem concordar com ele. Confiança é a convicção de que o líder fala sério. É a crença em sua integridade. As ações de um líder e suas crenças professadas devem ser congruentes, ou ao menos compatíveis. A liderança eficaz não se baseia em ser inteligente; ela se baseia principalmente em ser consistente (Drucker, 1996, p.75).
Completando o pensamento de Drucker, Goldsmith (1996, p. 229), declarou acreditar que: "O líder do passado era uma pessoa que sabia como dizer. O líder do futuro será uma pessoa que saberá como perguntar". O líder precisará envolver, efetivamente, os liderados e obter participação, pois as tarefas serão muito mais complexas e as informações distribuídas de forma muito ampla para que o líder detenha todas as soluções.
Para Scholtes (1998, p.423), “O líder da próxima década e, provavelmente, do próximo século e milênio, deve compreender sistemas e deixar que a consciência de sistemas o informe sobre todos os planos e decisões”. Ou seja, liderar sistemas envolve liderar propósito, tecnologia, relacionamentos, equipes de trabalho, interações e um sistema de liderança.
Covey (1996, p. 159) entende que o líder do futuro será alguém capaz de desenvolver uma cultura ou um sistema de valor baseado em princípios. Além de ser um grande desafio, somente será alcançada por líderes com visão, coragem e humildade para aprender e crescer continuamente. Aprendizado que acontece ouvindo, observando tendências, percebendo e antecipando necessidades do mercado, avaliando sucessos e erros do passado, e observando as lições que a consciência e os princípios ensinam.

CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2.ed. Rio de Janeiro: Campus,1999.
COVEY, Stephen R. Três funções do líder no novo paradigma. In: HESSELBEIN, F.; GOLDSMITH, M.; BECKHARD, R. O líder do futuro. São Paulo: Futura, 1996.
DRUCKER, Peter F. Administrando para o futuro: os anos 90 e a virada do século. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1996.
DRUCKER, Peter F. Introdução: rumo a nova organização. In: HESSELBEIN, F., GOLDSMITH, M., BECKHARD, R. A organização do futuro. São Paulo: Futura, 1997.
SCHOLTES, Peter R. O Manual do Líder: um guia para inspirar sua equipe e gerenciar o fluxo de trabalho no dia a dia. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 1998.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

SISTEMA DE INTELIGÊNCIA POLICIAL BASEADO NO CÉREBRO

A metáfora do cérebro trata a organização em forma de redes, grupos e sistemas de indivíduos e setores interconectados, construindo uma atividade e fluxo relacional de informações e conhecimento pela integração global.
Morgan (2006) afirma que à medida que entramos numa economia baseada no conhecimento, em que a informação, o conhecimento e o aprendizado são recursos-chave, a inspiração de um cérebro vivo, capaz de aprender, oferece uma imagem poderosa para a criação de organizações ideais, perfeitamente adaptadas aos requisitos da era digital.
Para melhor explicar a metáfora do cérebro nas organizações, o autor faz a associação com a holografia (uma técnica fotográfica que registra em três dimensões qualquer objeto). A holografia usa câmaras sem lentes para registrar informações de uma forma que guarda o todo em cada uma das partes. Um aspecto interessante que aponta é que se a placa holográfica que está gravando a informação quebrar, qualquer pedaço individual pode ser usado para reconstruir a imagem inteira. Prossegue no exemplo dizendo que “tudo está embutido em tudo o mais, como se fossemos capazes de atirar uma pedra numa lagoa e ver a lagoa toda e todas as ondas e gotas d’águas geradas pelo impacto em todas e cada uma das gotas de d’água”.
Organizações funcionando como cérebro significa dizer que a informação e o conhecimento estão distribuídos por toda a rede da organização, não existindo nenhum ponto de controle e armazenamento fixo. O armazenamento e o processamento da informação estão em muitas partes ao mesmo tempo.
Almeida (1995), fazendo uma analogia entre as organizações e o cérebro, diz que na “nova forma de organização não existe mais controle central de atividades. Cada célula é responsável e tem consciência do que deve fazer e do produto que deve gerar. Como a informação flui facilmente no interior de cada célula, para fora ou para dentro, a rede ou a cadeia como um todo tem condições de se adequar rápida e eficazmente às necessidades”. O fluxo eficaz da informação é o elemento-chave para o sucesso da nova forma de organização.
Estudos das teorias da administração incentivam as empresas para um modelo neural, no qual não existe absolutamente coordenação central, como acontece no caso de estruturas hierárquicas. Prossegue Almeida (1995) explicando que no cérebro humano não existe conjunto de neurônios responsável pela coordenação do trabalho dos outros neurônios. Cada neurônio exerce autonomamente sua função a partir dos sinais recebidos e envia sinais para os à sua frente.
Hoje, organizações policiais têm excesso de informações em vez de carências. Existe grande quantidade de conteúdos, relatórios de investigação, laudos técnicos, depoimentos, ocorrências, inquéritos, o que obriga o setor de Inteligência a realizar uma tarefa de seleção mental intensa. A Inteligência Policial dispõe de sistemas informatizados que permitem acessar uma ampla variedade de bancos de dados, acesso a um imensurável volume de informações, decorrentes de interceptações e movimentos bancários, sem considerar o vasto material informativo na Internet. Apesar de tudo isso, muitos sentem que estão mal informados.
Os analistas e investigadores freqüentemente suspeitam que o conhecimento que desejam existe em algum lugar. O que lhes falta é uma maneira de acessar o ambiente de conhecimento e identificar os tipos específicos de conhecimento, tanto interna quanto externamente. Nesse contexto, é preciso é criar uma organização em forma de rede de fluxo de conhecimento, e como o resultado deste processo, contribuir para aumentar a capacidade da investigação criminal.
Segundo Paldony e Page (1998), uma rede é uma coleção de atores que estabelecem relações de troca de longo prazo, e que ao mesmo tempo, não possuem legitimidade e autoridade para arbitrar e resolver disputas, que podem ocorrer durante a troca. Composta por diferentes atores (pessoas, organizações, empresas etc.) que interagem entre si, a rede possui interações que não se dão em momentos únicos, mas são repetidas ao longo do tempo, configurando um determinado padrão. Esses relacionamentos caracterizam trocas de informações, experiências, recursos etc., ou seja, a cada interação algo é trocado. Os agentes destas trocas mantêm um razoável grau de independência formal entre si.
Comentam que o processo de gestão de conhecimento em organizações, num ambiente em rede, tem dois objetivos:
• Disseminar e distribuir informações e o conhecimento através dos atores que compõem a rede, disponibilizando o conhecimento em todos os pontos da rede onde será utilizada para eficácia do negócio;
• Permitir um processo colaborativo e integrado para a geração de conhecimento de forma multidimensional para visão do contexto e de forma global por toda a organização.
Princípios da Organização em Rede
O fluxo interativo de informações na organização é uma confirmação recíproca do estado de relação de comunicações entre pessoas, grupos e setores que geram significado e conhecimento global. Este sistema pode ser representado pela figura do texto, onde um modelo de organização policial com seus elementos de inteligência interagem como malhas de conexão num ambiente em rede, semelhante a um cérebro com suas propriedades essenciais. Cada nó de interação na rede representa uma unidade policial (neurônio) que gera informações sobre o crime e dissemina o conhecimento novo em tempo real para toda a organização (investigadores ou setores que necessitam da informação).
Para explicar as características do modelo em rede de conhecimento, a metáfora do hipertexto é considerada a fim de confirmar o modo sistêmico de processos e verificar os princípios que configuram uma associação lógica do funcionamento (LEVY, 1993):
a) Princípio de Metamorfose. A rede está em constante construção e renegociação, pois o fluxo de comunicação favorece seu constante desenvolvimento e estabilidade pela composição e permanente movimento de atores envolvidos;
b) Princípio de Heterogeneidade. Os nós e conexões da rede são heterogêneos. É composto de varias fontes de informações e conhecimentos e o nível de interação entre todos os componentes e o processo de comunicação não é uniforme;
c) Princípio de Multiplicidade. A rede se organiza de forma que qualquer conexão pode revelar-se como sendo composto por toda uma rede, e assim por diante, ao longo de uma escala maior. Em efeitos de propagação do conhecimento, gera capacidade de uma Inteligência distribuída por toda a organização;
d) Princípio de Exterioridade. A rede não possui unidade orgânica. Seu crescimento e diminuição, sua composição e recomposição dependem de fatores indeterminados. Pode haver adição de novos órgãos, interação com outras fontes de conhecimento e conexões com outras redes;
e) Princípio de Topologia. Tudo funciona por proximidade e conexão. O curso dos acontecimentos e o fluxo de conhecimento ocorrem de forma síncrona. Tudo trafega na rede em conjunto, de acordo com o processo evolutivo da rede como um todo;
f) Princípio de Mobilidade dos Centros. A rede não tem centro, ou melhor, possui permanentemente diversos centros, onde a informação e o conhecimento percorrem todos os nós, distribuindo ao redor de uma ramificação infinita de pequenas raízes. O centro está em todo o lugar da rede.
As organizações em rede são geradoras de processos cognitivos (aquelas com potencial de aprender, onde ocorrem processos constitutivos de aquisição de conhecimentos). Ela faz uma operação distribuída da informação, proporcionando uma memória que armazena informações, assimila conhecimento novo adquirido pela organização e disponível para ser recuperada e utilizada em decisões em qualquer ponto. A aprendizagem vem por consequencia, capacitando pessoas e setores a compreender e agir eficazmente com inovação de procedimentos. Na forma de conexões entre um grande número de elementos, a comunicação operacionaliza a função de executar a soma das entradas e saídas, além de executar uma conversão do conhecimento. Assim a rede se apresenta como um modelo semelhante a um cérebro e a suas interconexões, com funções de processamento do conhecimento na organização, aumentando o raciocínio (capacidade de resposta) para os problemas de ordem funcional e no ambiente em que atua.
ALMEIDA, F. C. Novo Modelo Organizacional Baseado no Cérebro Humano. Revista de Administração. São Paulo. V30, n.1, p.46-56, janeiro/março. 1995.
LEVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: O Futuro do Pensamento na Era da Informática. Editora 34. 13ª Edição em 2004. São Paulo. 1993.
MORGAN, G. Imagens da Organização. Editora Atlas. São Paulo. 2006.
PALDONY e PAGE, 1988, Annual Review Sociology, 24, pp. 57-76, 1998. Disponível em: http://www.embsig.gpi.ufrj.br/pdfs/artigos/. Acesso em 17/10/2006.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A INTELIGÊNCIA POLICIAL

Ao pensarmos em Atividade de Inteligência (AI) na organização policial remetemo-nos imediatamente à idéia de capacidade de monitorar informações do ambiente para responder aos problemas, desafios e oportunidades que se apresentam continuamente. Por meio de um conjunto de procedimentos analíticos, operacionais e sistemáticos a AI gera um processo contínuo de produção do conhecimento, e, pode-se dizer, que este produto visa principalmente auxiliar a proposição de políticas, a formulação de estratégias e a visualização da complexidade.
O crime é um fenômeno complexo e está em constante mudança. A eficiência, a rapidez dos sistemas de comunicação, transportes e o acesso à informação, são condições que facilitam a atuação dos criminosos. Estes fatores vêm modificando a estrutura do crime, na sua acepção mais contextual, de várias relações e funções de diversos grupos, cujas junções, engrenagens e interligação de inúmeros delitos, caracterizam por si só, um quadro de complexidade, e conseqüentemente demanda uma compreensão diferenciada daquela comumente observada por processos ordinários de cognição policial.
Nesse sentido, cabe dizer, que o setor Inteligência Policial não é um aglomerado de experts, mas sim, um conjunto de profissionais que desenvolvem ações especializadas com uso de ferramentas sofisticadas. Atualmente, a tecnologia de Análise Vínculos (i2) e os processos de apreciação, com potencial analítico temporal e espacial dos fenômenos, são aspectos que confirmam a AI policial como uma área essencial. É possível afirmar ainda que a AI tem como objetivo principal gerar inovação e minerar informações para a organização atuar na dinâmica dos fatos, considerando neste aspecto, o conjunto de condições materiais, culturais, psicológicas e morais que envolvem a sociedade atual.
A Atividade de Inteligência tem que estar na mente dos gestores da organização policial, assim como a habilidade de administrar (trabalhar) a informação.
A importância da informação para as organizações policiais é evidente e constitui a sua mais primordial  matéria prima, cuja gestão eficiente está diretamente relacionada ao sucesso. A informação também é considerada por muitas organizações, um fator estruturante, portanto, requer a percepção objetiva dos elementos essenciais que compõe sua organização: estrutura, (tecnologia, pessoal e rede); processo de distribuição (visão global dos segmentos, interatividade e integração); e produto (capacidade de resposta e produção em tempo real).
O AI como gestão da informação, é estratégica, ao proporcionar um processo de assimilação e acomodação do sistema, é dinâmica, devido sua atuação direta no diagnóstico das mudanças do ambiente e, é sistêmica, quando seu produto se propaga pela organização e provoca ajuste nas ações e aprendizagem coletiva nos métodos de produção do conhecimento.
Finalmente a AI na organização policial favorece um comportamento adaptativo dos componentes quando alteram ou modificam procedimentos necessários para redirecionar ações, e, impulsiona a ação organizacional para a atualização de processos, diante da necessidade de adaptação às mudanças, complexidade e sofisticação do mundo. A Inteligência Policial é uma área que precisa estar em constante evolução, receber contínuos investimentos e dotado de recursos humanos especializados.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A GESTÃO POLICIAL - Tecnologia da Informação

WEILL e ROSS (2006) explicam que implementações de Tecnologia da Informação (TI) envolvem investimentos imediatos e continuados, em busca de resultados que ninguém pode prever com certeza. Essas incertezas e complexidade fazem muitos administradores renunciarem à responsabilidade por garantir que seu pessoal utilize com eficiência a Tecnologia da Informação.
Prosseguem dizendo que, por muitos anos, certas organizações conseguiram prosperar a despeito de suas práticas deficientes na administração de Tecnologia da Informação. Mas a informação e conseqüentemente a TI são elementos cada vez estratégicos nos produtos e serviços organizacionais e a base cultural dos processos numa instituição. O elo íntimo entre TI e processos organizacionais implica que a unidade de TI não pode ser a única nem a principal área responsável pelo uso efetivo da informação e da Tecnologia da Informação. Extrair maior valor da TI é uma competência organizacional de importância crescente. Todos os líderes de uma instituição precisam compreender isso e desenvolver essa competência.
Não poderia ser diferente na Segurança Pública. A gestão, integração e a difusão de informação ou conhecimento talvez sejam os aspectos mais importantes a serem discutidos. Infelizmente poucas ações nesta área se desenvolvem. Ainda que organizações não tenham efetivamente definido estratégias para uma melhor integração dos repositórios e sistemas dispersos nos segmentos da Segurança Pública (preservando os silos informacionais), dando ainda maior importância para uma integração operacional, evidentemente isto se revela um imenso problema a ser resolvido. Muito deve ser provido para a implementação de sistemas informacionais nos órgãos policiais, além de processos e soluções de interoperabilidade que geralmente provocam rupturas de ordem conceitual.
Sistemas para a gestão da informação são importantes. Administrar, compartilhar e distribuir o conhecimento é um aspecto estratégico para organizações policiais modernas. Diante do quadro da complexidade do ambiente social (criminalidade), os administradores (Delegados e Oficiais) precisam reconhecer o valor do conhecimento e do uso pertinente. Muitos ainda precisam compreender que ter o conhecimento e não fazer uso, não traz nenhum benefício para a organização. O conhecimento não está apenas nos documentos, nas bases de dados e nos sistemas, mas também nos processos, nas práticas dos grupos e nas experiências individuais adquiridas por policiais.
NONAKA & TAKEUCHI (1997) explicam que conhecimento está essencialmente relacionado à ação humana. O conhecimento é criado por indivíduos e é um processo organizacional de criação, conforme a dimensão ampla e fundamental. Numa dimensão epistemológica, há uma distinção entre conhecimento tácito e conhecimento explícito. O conhecimento tácito é pessoal, inerente ao contexto e as experiências individuais, incluído os elementos cognitivos, chamados de modelos mentais, incluindo know-how, técnicas e habilidades. O conhecimento explícito lida com acontecimentos passados ou objetos, descritos em manuais, registros, bancos de dados, criados seqüencialmente pela atividade digital.
Instituições policiais que possuem estratégias de avanço contínuo devem proporcionar um ambiente onde haja criação contínua de conhecimentos, inovação e modificação de comportamentos (cultura). O processo de conversão e distribuição da informação na atividade policial proporciona uma condição de acessibilidade e aprendizagem coletiva. Neste contexto áreas de tecnologia devem assegurar que sistemas e programas apropriados sejam colocados de forma a maximizar a sua utilização, que contenham interfaces interativas, com informações dinâmicas e sua propagação em tempo real.
A informação é a matéria-prima mais importante da atividade policial. Isso costumava ser verdadeiro para um número reduzido de pessoas. Hoje é assimilado pela maioria delas e consiste na necessidade de todos, em obtê-la e interpretá-la, e partir dela, gerar conhecimento, desenvolver planejamento, compreender o fenômeno criminal, e proporcionar aprendizagem constante na organização.
STEWART (1998) descreve que a tecnologia, informação e o conhecimento são as armas termonucleares competitivas de nossa era. O conhecimento é mais valioso do que os recursos naturais, grandes indústrias ou polpudas contas bancárias. Mais valioso que os ativos físicos ou financeiros da organização é o capital intelectual.
Define o autor que o capital intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma empresa. O capital intelectual é intangível e constitui uma matéria intelectual (conhecimento, informação, propriedade intelectual, experiência) que pode ser utilizada para gerar potência para a organização. É a capacidade mental coletiva que deve ser distribuída (inteligência distribuída).
As tecnologias úteis para a gestão do conhecimento na segurança pública são aquelas que proporcionam a integração das Instituições e dos profissionais, que facilitam a eliminação de fronteiras e antagonismos entre unidades de um mesmo sistema orgânico.
Em breve os segmentos de segurança pública deverão desenvolver empreendimentos focados na incorporação processos continuados de gestão administrativa, conhecimento e tecnologia da informação de forma integrada. São projetos para o desempenho glogal das instituições, como um ecosistema composto de tecnologias: KMAI (Knowledge Management with Artificial Intelligence) de gestão do conhecimento com uso da Inteligência Artificial (IA) que contém recursos e ferramentas de busca e monitoramento de argumentos estruturados e não estruturados; mineração de dados (DataMining) de forma dinâmica e em tempo real; padronização de processos, integração de dados e compartilhamento de informações (DataWarehouse), mineração de textos (TextMining) para busca e coleta de argumentos em fontes abertas; e processamento analítico de informações (OLAP) com análise gráfica interativa, multidimensional e estatística, contemplando inovações de representação de conhecimentos em diagramas ou medidores digitais.
Um sistema com tecnologia KMAI realiza a busca e coleta de informações em diversas fontes, incluindo fontes abertas, consolidando-as e auxiliando toda a atividade policial transformando-se num poderoso instrumento gestão policial como se fosse um cérebro da organização policial. Seus usuários são os tomadores de decisão (nível tático e estratégico).
Esta metáfora pode ser percebida em projeto pioneiro apresentado à Segurança Pública do Distrito Federal, chamado Mi2 (management of the information nível 2) e que prevê o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica em rede multidimensional para a distribuição da informação consolidada para tomadores de decisão gerando conhecimento novo na organização em tempo real por meio de painéis gráficos dinâmicos.
A característica fundamental do MI2 está no processo de transformação das informações em conhecimento, por meio de monitoração ambiental, devido à interligação de inúmeros sensores que capturam uma multiplicidade de informações ao mesmo tempo. O Mi2 possui abrangência em razão do uso tecnologias de ponta e desenvolvimento de aplicativos sofisticados; contém rotinas de controle de acessos e auditoria; integração com sistemas coorporativos internos e externos e qualquer tipo de banco de dados; acompanhamento on-line de fatos e situações que ocorrem no ambiente; automação de processos (eliminação de processos de entrada de dados redundantes e aumento da qualidade dos dados introduzidos com redução dos custos e melhoria da capacidade de resposta interna ou externa da organização); é personalizavel e escalonável; contempla evolução e transferência total de tecnologia e códigos-fonte; é um sistema com característica multidimensional podendo ser distribuído e ampliando para outras necessidades de gestão.
O principal objetivo do Mi2 é possibilitar a gestão da organização policial com o alinhamento da estratégia com todas as atividades operacionais, alcançado pelas seguintes ações: a) visão gráfica em painel em tempo real dos acontecimentos no ambiente interno e externo; b) comunicação interativa para mensagens, despachos, ordens e traçar objetivos e medidas operacionais; c) estabelecer metas, acompanhar os resultados e medir produtividade; d) gerar relatórios visuais customizáveis; e) implementar um sistema de conversão de conhecimento por meio de feedback interno; f) promover Inteligência Organizacional com a implementação de processos de aprendizagem, memória, comunicação, cognição e raciocinio.

NONAKA, Ikujiro & TAKEUCHI, Hirotaka, Criação de Conhecimento na Empresa: Como as Empresas Japonesas Geram a Dinâmica da Inovação, Editora Campus, p.64, 1997. p. 64.

STEWART, Thomas, A. Capital Intelectual: A Nova Vantagem Competitiva das Empresas. Prefácio. Elsevier Editora Ltda. Rio de Janeiro. 1998.

WEILL, P. e ROSS, J.W. Governança de Tecnologia da Informação. Editora M.Books do Brasil Ltda. Original em Havard Business School Publishing. São Paulo. 2006.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

MÉTODO DE PRODUÇÃO DE INFORMAÇÕES DE PLATT (1974)

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As tarefas básicas de produção de informações são parecidas com o método científico, ou seja, contempla as fases de coleta de dados, formulação de hipóteses, verificação, interpretação e conclusões. Tudo deve estar baseado nos aspectos examinados, os quais, inclusive podem ser utilizados como fontes de previsão.
De acordo com PLATT (1974) a experiência, desempenha papel importante na coleta de dados e na verificação das hipóteses. Neste sentido, um bom analista de inteligência policial deve ter vivência profissional e conhecer todos os processos da investigação criminal, propiciando um melhor entendimento durante a avaliação de dados e informações submetidas à análise.
Valendo-se da técnica de classificação de PLATT (1974) a produção de informações percorre seis fases principais:
1ª Fase – Levantamento Geral. É a prospecção completa do problema ou situação, incluindo a indicação de pessoal e das fontes disponíveis. A compreensão total sobre o assunto, discernimento e o senso da verdade real exerce influência poderosa no sucesso desta fase.
2ª Fase – Definição do Objeto. É essencial uma definição e explicação do que se quer com a informação, inclusive para a aplicação de termos e conceitos para evidenciar os objetivos e o significado da informação.
3ª Fase – Busca de Informações. Muitos dados e informações estão disponíveis, contudo, outros têm que ser buscados por meio de operações de recrutamento, colaboradores e solicitações para outros segmentos.
4ª Fase – Interpretação das Informações. É o processamento mental do analista e o estudo a ser realizado. Inclui a avaliação, classificação, análise e interpretação do volume de informações disponíveis e sua transformação em conteúdos com significado, aproveitando-se de gráficos e quadros estatísticos.
5ª Fase – Formulação de Hipóteses. Durante a fase de interpretação, quando há uma incubação de informações, respostas possíveis devem são formuladas e testadas experimentadas. A formulação de hipóteses é uma operação intelectual e refere-se à concentração dos analistas na lógica (técnicas de avaliação de conteúdos), coerência total dos dados sem se sobrecarregar com fatos isolados e na aplicação individual ou coletiva de experiências acumuladas e especialização em determinados assuntos.
6ª Fase - Conclusão. Esta fase compreende as investigações destinadas a provar ou reprovar as hipóteses estabelecidas e a elaboração do conteúdo final que forma o documento relatório de informação.
7ª Fase – Apresentação. É a elaboração do relatório final. O texto deve conter idéias e afirmações claras, com a certeza que merece cada expressão, visando o entendimento completo pelo usuário do conteúdo, ou tomador de decisão.

PLATT, Washington. A Produção de Informações Estratégicas. Biblioteca do Exército Editora. Rio de Janeiro. 1974.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

REDE DE INFORMAÇÕES POLICIAIS

Hoje, organizações policiais têm excesso de informações em vez de carências. Imenso repositório de informações e conteúdos arquivados, relatórios de investigação, laudos técnicos, depoimentos, ocorrências, inquéritos, o que obriga o setor de Inteligência a realizar uma tarefa de seleção mental intensa. A Inteligência Policial dispõe de sistemas informatizados que permitem acessar uma ampla variedade de bancos de dados, acesso a um imensurável volume de informações, decorrentes de interceptações e movimentos bancários, sem considerar o vasto material informativo na Internet. Apesar de tudo isso, muitos sentem que estão mal informados.

Os analistas e investigadores freqüentemente suspeitam que o conhecimento que desejam existe em algum lugar. O que lhes falta é uma maneira de acessar o ambiente de conhecimento e identificar os tipos específicos de conhecimento, tanto interna quanto externamente. Nesse contexto, é preciso é criar uma organização em forma de rede de fluxo de conhecimento, e como o resultado deste processo, contribuir para aumentar a capacidade da investigação criminal.

Uma estrutura em rede significa que seus integrantes se ligam horizontalmente a todos os demais, diretamente ou através dos que os cercam. O conjunto resultante é como uma malha de múltiplos fios, que pode se espalhar indefinidamente para todos os lados, sem que nenhum dos seus nós possa ser considerado principal ou representante dos demais. Pode-se dizer que no trabalho em rede não há um centro, o que há é uma equipe trabalhando com uma vontade coletiva de realizar determinado objetivo (FERNANDES 2004).

Segundo Paldony e Page (1998), uma rede é uma coleção de atores que estabelecem relações de troca de longo prazo, e que ao mesmo tempo, não possuem legitimidade e autoridade para arbitrar e resolver disputas, que podem ocorrer durante a troca. Composta por diferentes atores (pessoas, organizações, empresas etc.) que interagem entre si, a rede possui interações que não se dão em momentos únicos, mas são repetidas ao longo do tempo, configurando um determinado padrão. Esses relacionamentos caracterizam trocas de informações, experiências, recursos etc., ou seja, a cada interação algo é trocado. Os agentes destas trocas mantêm um razoável grau de independência formal entre si.

O processo de gestão de conhecimento em organizações, num ambiente em rede, tem dois objetivos:

Disseminar e distribuir informações e o conhecimento através dos atores que compõem a rede, disponibilizando o conhecimento em todos os pontos da rede onde será utilizada em tempo real na investigação;
Permitir um processo colaborativo e integrado para a geração de conhecimento de forma multidimensional com visão de contexto e de forma global por toda a organização.

O funcionamento de organizações policiais em rede está além da capacidade de transmissão física tecnológica de informações. O foco principal é a conexão e a comunicação entre pessoas, grupos de pessoas e setores da organização, configurando também uma rede social integrada, produzindo a informação e o conhecimento de forma sistêmica. Não é uma estrutura fixa hierarquizada. Todos os componentes da organização estão entrelaçados por meio de processos sistêmicos e princípios que realizam uma configuração interativa para constituir um ambiente de contatos como verdadeiros neurônios, onde ocorre a transmissão e impulsos de uma célula para outra, gerando comunicação, cognição, memória, aprendizagem e raciocínio na organização.

FERNANDES, Karina, Ribeiro. Constituição de redes organizacionais como nova forma de gestão das organizações do terceiro setor. 2004. Disponível em: www.inca.gov.br/rede/documentos/const_redes_org_terceiro_setor.pdf. Acesso em: 22/10/2006.

PALDONY e PAGE, 1988, Annual Review Sociology, 24, pp. 57-76, 1998. Disponível em: http://www.embsig.gpi.ufrj.br/pdfs/artigos/. Acesso em 17/10/2006.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A POLÍCIA FUNCIONANDO COMO CÉREBRO


O axioma de que a facilidade de acesso à informação possibilita a interação face a face entre pessoas nos diversos cantos territoriais permite também afirmar que não existe hoje nada mais distribuído e disseminado do que a informação. Não existe mais um mundo estável, baseado somente em experiências individuais, que busca explicar os fenômenos de forma empírica e responder todas as questões. Daí a necessidade das organizações desenvolverem estruturas tecnológicas e, pela atividade de Inteligência, aumentar a capacidade de solucionar problemas, realizar diagnósticos mais precisos em direção à realidade atual e com visão de contexto.
Na nova era, fatores determinantes de mudança na sociedade estão associadas à velocidade, conectividade, intangibilidade (Davis, Meyer, 1999) e à complexidade ambiental (Mintzberg, 2003). Esses fatores influenciam no modo de interação das pessoas e na eficiência das organizações. No mesmo sentido, o crime adquire novas características de organização, planejamento, diversificação de atividades, atuação sem limites territoriais, facilidade de comunicação e acesso à informação. Ações criminosas têm se apresentado predominantes à capacidade do Estado, este, temendo mais as conseqüências políticas do que sociais, submetendo as organizações policiais a um confronto desafiador.
A eficiência e a rapidez dos sistemas de transporte e comunicação facilitam e abrem espaço para um processo que pode ser chamado de globalização do crime. Este fenômeno é caracterizado por vários fatores, entre eles, a evolução tecnológica que abre campo a novos delitos, a dos crimes cibernéticos, cuja atuação transcende os limites territoriais, sem falar dos crimes, efeitos replicadores, decorrentes das ações terroristas no mundo. As organizações criminosas exercem suas atividades sem divisas ou fronteiras, demonstrando poder de articulação, planejamento e sofisticação. O narcotráfico, contrabando, pirataria, crimes financeiros, corrupção, fraudes milionárias são as áreas preferidas, bem como a imensidade de outros delitos que assumem uma condição quase imbatível, causando prejuízo incalculável ao Estado e à sociedade em geral.
Cada vez mais a atividade policial defronta-se com situações complexas, exigindo mais da investigação. Diante desta situação, as organizações buscam e fazem uso da tecnologia da informação, edificando infra-estruturas com o objetivo de obter mais rapidamente informações e busca de significado e conhecimento sobre o crime.
É fundamental que setores, investigadores e dirigentes de uma organização policial compartilhem conhecimento, identificando tendências, padrões de comportamento, revelando as conexões existentes entre atividades criminosas e realizando investigações de forma mais global. A investigação policial empírica está ruindo, evidenciando a necessidade de novos métodos, com inteligência distribuída, de maneira sistêmica e horizontal, possibilitando a consolidação de informações, oriundas de diversas fontes, num fluxo e transmissão por toda a rede da organização, de modo que todos tenham acesso e com o mesmo objetivo. Na visão de Morgan (2006), uma organização com inspiração de um cérebro vivo é capaz de aprender, ter memória e oferece uma imagem poderosa de organização ideal, perfeitamente adaptada aos requisitos da era digital.
Por final podemos afirmar que o desempenho investigativo é aumentado pela Inteligência Organizacional, apoiado na tecnologia e por um modelo organizacional em rede de conhecimento, onde todos os componentes (setores de investigação, agentes, ou grupo de investigadores) são disseminadores de informações e participam do processo de criação do conhecimento, funcionando como se fossem neurônios de um cérebro.
A Inteligência Organizacional considera a eficácia global da organização, do ponto de visão da sua inteligência total, ou sua habilidade para fazer coisas de um modo inteligente. A Inteligência organizacional pode ser definida como a capacidade da organização para mobilizar toda a capacidade intelectual, e para o foco de capacidade intelectual em alcançar sua missão. Organizações anacrônicas, fortemente burocráticas e hierarquizadas tendem a se derrotar desperdiçando energia humana e falindo na capitalização da inteligência das pessoas. Organizações "inteligentes" tendem a ter sucesso pela multiplicação da inteligência pelas pessoas e num processo colaborativo.
CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado OAB/DF

Consultor em Segurança, Inteligência e Contrainteligência Empresarial.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal (Aposentado).

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Advanced Course Inteligence - IMI, Israel. 2002
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do Distrito Federal.
Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento. ABIN. 2000.
Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.